Sede da Petrobrás está fechada

A Petrobrás tem na Província Petrolífera de Urucu, em território de Coari, reservas de gás e petróleo que poderão ser exploradas ininterruptamente pelos próximos 20 anos. Como a empresa mantém na Bacia do Solimões pesquisas com probabilidades altas de resultar na descoberta de grandes jazidas, especialmente de gás, sua presença no Amazonas deverá se estender por décadas.

Sérgio Torres e Fábio Motta, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2011 | 03h05

A produção média diária em Urucu é de 10,36 mil metros cúbicos (m³) de gás e 53,5 mil barris/dia de óleo. A 11.ª rodada de licitações de blocos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que deverá ocorrer em 2012, vai tornar disponível mais 20 áreas na Bacia do Solimões, próximas a Urucu.

A ANP calcula que, até 2020, a Petrobrás e a petroleira nacional HRT, que também pesquisa o subsolo da região, terão investido R$ 4,5 bilhões em análises, perfuração e extração de óleo e gás.

Apesar do otimismo quanto ao futuro de Urucu, os episódios policiais e os problemas administrativos levaram a Petrobrás a se afastar da área urbana de Coari. Antes atuante em ações sociais, a companhia já não participa de projetos de melhoria educacional e infraestrutura na cidade. O apoio à evolução dos municípios em que está presente é uma marca da companhia, que desenvolve programas em parceria com governos estaduais e municipais em todo o Brasil.

O escritório da Petrobrás, na Rua 15 de novembro, a principal do centro de Coari, esteve fechado e protegido por grades de ferro a maior parte do tempo neste segundo semestre. Só um segurança ficava de plantão. A quem procurava algum tipo de informação, ele recomendava que apresentasse por escrito o motivo de estar procurando a companhia.

A 16 km da sede do município, na margem direita do Rio Solimões, a Petrobrás mantém seu terminal de escoamento do petróleo e gás produzidos nos campos de Rio Urucu, Sudoeste Urucu e Leste do Urucu. As instalações são modernas, com seis tanques de armazenamento, três píeres, áreas administrativas, hotelaria para convidados e alojamento para os trabalhadores.

O Terminal Aquaviário de Coari é inacessível para os que não têm autorização da companhia. As visitas devem ser agendadas com antecedência, por meio de ofícios, e só são realizadas aos domingos. Não há estrada até Coari. O acesso é por barco ou helicóptero.

O foco das atividades nos poços de Urucu e no terminal distante resultou no aumento do desemprego em Coari. Com o fim das obras do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, em 2009, empresas terceirizadas deixaram a cidade.

Desempregado desde outubro, Elias Santiago de Souza, de 24 anos, trabalhou nove meses como faxineiro no terminal, contratado por uma firma que prestava serviços à subsidiária Petrobrás Transporte (Transpetro). Ganhava R$ 760 mensais. "Disseram que finalizou o contrato. Se puder volto para lá, espero que me chamem de novo", contou ele, que vende nas ruas tucunarés, traíras, carás e piranhas, pescados na região .

A exploração de Urucu pela petroleira começou em 1988, com a abertura do primeiro poço. O campo petrolífero fica na selva, a 270 km de distância de Coari. O petróleo extraído vem por dutos até o terminal, onde é embarcado para a Refinaria de Manaus (Reman).

O óleo leve é de excelente qualidade. Na refinaria, transforma-se em gasolina, diesel e nafta, distribuídos para os Estados das regiões Norte e parte do Nordeste. O gás de Urucu segue para Manaus pelo gasoduto que atravessa a selva amazônica e os rios da região. Antes do gasoduto, as embarcações que recolhiam o óleo e o gás levavam até uma semana para chegar a Manaus.

Com base na produção, a ANP calcula o valor dos royalties devidos pela Petrobrás. A companhia deposita a quantia na Secretaria do Tesouro Nacional, que faz o repasse aos Estados e municípios.

No caso de Coari, os milhões provenientes dos royalties têm gastos inexplicados. Para d. Marcos Piatek, bispo da cidade, "a preocupação com a questão social tem de existir" e a população precisa "ser conscientizada". D. Marcos está no município desde a última semana de outubro. Diz que o pouco tempo ainda não lhe deu condições de falar com objetividade sobre tudo o que está ocorrendo, mas que escuta comentários sobre o desvio dos recursos provenientes da atividade petrolífera.

Procurada pelo Estado, a Petrobrás não respondeu à mensagem eletrônica (exigência feita pela assessoria da estatal) com perguntas sobre sua atuação em Coari.

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