Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA
Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA

Mercados fecham sem sinal único de olho no bom desempenho dos títulos públicos dos EUA

Mercados acionários de todo o mundo acompanham com temor as perspectivas de alta da inflação dos EUA, que tornam mais rentáveis os títulos públicos americanos e fazem diminuir o interesse pelas ações

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2021 | 07h45
Atualizado 25 de fevereiro de 2021 | 18h45

Os principais índices do exterior fecharam em queda nesta quinta-feira, 25, com exceção da Ásia, particularmente beneficiada pelo bom desempenho de Wall Street no pregão anterior. Hoje, o aumento do interesse pelos títulos da dívida americana, ante as perspectivas de retomada da economia e aumento da inflação nos Estados Unidos, voltaram a pressionar os índices, que temem uma debandada dos investidores.

O mercado monitora de perto as previsões de alta da inflação nos EUA, que têm feito crescer o interesse pelos títulos da dívida americana. O aumento na busca pelos Treasuries, como são chamados esses tipos de títulos, ajuda a promover a fuga do mercado de risco. Como o retorno dos Treasuries está atrelado à inflação americana, quanto mais alta ela estiver, melhor será o rendimento. Além disso, esses títulos são considerados os 'ativos mais seguros do mundo' e costumam ser o porto seguro dos investidores em caso de crise no mercado financeiro.

Na parte da tarde, para aliviar a pressão sobre o ativo, o Tesouro americano chegou a promover um leilão de títulos da dívida de sete anos, mas a medida foi apontada como "muito fraca" pelo BMO Capital. Ontem, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), chegou a dizer que o BC americano não tem pressa de retirar estímulos à maior economia do mundo. Hoje, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, disse que, em "caso de picos de inflação, o Fed poderia agir". 

No entanto, já no final do pregão de Nova York, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse projetar uma inflação de 2% no longo prazo, dentro do centro da meta do Fed, para os EUA. A alta chance de aprovação do pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão de Biden, somada ao avanço da vacinação no país americano, contribuem para essa possibilidade.

Bolsas de Nova York

Em resposta ao aperto financeiro promovido pelos Treasuries, os índices de Nova York despencaram. Dow JonesS&P 500 e Nasdaq fecharam em quedas de 1,76%, 2,45% e 3,52% cada. A volatilidade levou o índice VIX, o "medidor do medo" em Wall Street, a saltar 37% no pregão. No mercado de Treasuries, o rendimento da T-note de 10 anos alcançou a marca de 1,5%, no maior nível em um ano.

No final da tarde em Nova York, o rendimento do título com prazo de dois anos subia a 0,171%, enquanto o título com prazo de dez anos avançava a 1,532% e o do título com prazo de 30 anos tinha ganho a 2,302%.

Bolsas da Europa

Na parte da manhã, animou a informação de que  o índice de sentimento econômico da zona do euro, que mede a confiança de setores corporativos e dos consumidores, subiu de 91,5 pontos em janeiro para 93,4 pontos em fevereiro. Na Alemanha, o índice de confiança do consumidor subiu de -15,5 em fevereiro para -12,9 em março.

Mesmo assim, de olho no desempenho dos títulos da dívida americana, os índices europeus caíram. O Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, caiu 0,36%. Enquanto a Bolsa de Londres teve baixa de 0,11%, a de Paris, de 0,24% e a de Frankfurt, de 0,69%. Milão caiu 0,15%, mas Madri e Lisboa foram na contramão e fecharam com altas de 0,80% e 1,11% cada.

Bolsas da Ásia 

Na contramão dos principais índices do mundo, os mercados asiáticos ficaram no azul. A Bolsa de Tóquio subiu 1,67%, enquanto a de Hong Kong teve alta de 1,2% e a de Seul, de  3,50%. A Bolsa de Taiwan registrou ganho de 1,48%. Na China, o mercado de Xangai teve alta de 0,59%, mas Shenzhen foi na contramão e caiu 0,51%.

Na Oceania, a Bolsa australiana foi na esteira das asiáticas e avançou 0,83% em Sydney

Bolsas da Europa 

As Bolsas europeias abriram em alta nesta quinta-feira, repercutindo balanços de grandes empresas da região, como AB InBev, Casino, Telefónica e Anglo American, e dados de confiança do consumidor da Alemanha. Às 5h18, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres avançava 0,26%, a de Frankfurt subia 0,12% e a de Paris se valorizava 0,40%. Já as de Milão, Madri e Lisboa tinham ganhos de 0,41%, 0,94% e 0,67%, respectivamente. 

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam sem sinal único hoje, em uma sessão em que os preços acompanharam as oscilações do dólar, depois de ganhos de 2% ontem. Em meio a um recuo da moeda americana perante rivais, a commodity chegou a se valorizar, mas, com o dólar operando perto da estabilidade, o resultado foi revertido. Mesmo assim, o WTI atingiu o maior nível em 21 meses, levando em conta os contratos mais líquidos.

A variação da moeda teve especial relevância em um dia sem grandes notícias sobre a produção. A expectativa agora é pela reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) na próxima semana. Nesse cenário, o WTI para abril fechou em alta de 0,49%, cotado a US$ 63,53 o barril, enquanto o Brent para igual mês recuou 0,24%, a US$ 66,88 o barril. /MAIARA SANTIAGO, IANDER PORCELLA, ANDRÉ MARINHO E MATHEUS ANDRADE

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