Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA
Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA

Mercado internacional fecha majoritariamente em baixa, de olho em economia dos EUA

Investidores monitoram de perto a retomada econômica dos EUA, que pode vir acompanhada de inflação, e que tem resultado na alta do retornos dos títulos do Tesouro americano

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2021 | 07h52
Atualizado 04 de março de 2021 | 19h34

Os principais índices do exterior fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, 4, ainda de olho na movimentação no mercado de títulos públicos dos Estados Unidos, após discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell. Além disso, indicadores negativos da economia da Europa também atrapalharam os ganhos.

O aguardado discurso de Powell, que veio apenas quando os mercados de Ásia e Europa já estavam fechados, não ajudou a aliviar a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries. O rendimento da opção com vencimento para dez anos, por exemplo, subiu 1,5% hoje. Ele disse não querer um  "aperto persistente" nas condições financeiras. 

Powell também falou que a volatilidade recente no mercado títulos do Tesouro americano chamou sua atenção "notavelmente", mas que qualquer alta da inflação no curto prazo será transitória, pois a economia americana ainda tem um longo caminho a percorrer até a recuperação da crise gerada pela pandemia. O tema tem causado mal estar nas Bolsas, que temem uma debandada de investidores, devido ao aumento recorde dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, considerado um dos ativos mais seguros do mundo.

"Ao revelar preocupação com a inflação e com os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os investidores começam a colocar na conta um aumento precoce dos juros, e isso se reflete na inclinação dos vencimentos de 10 anos", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Bolsa de Nova York

O índice Dow Jones fechou com perda de 1,11%, enquanto o S&P 500 recuou 1,34% e o Nasdaq teve perda de 2,11%. Mais uma sessão de baixa generalizada levou os índices a apagarem os ganhos acumulados em 2021 durante a sessão. Além disso, o Nasdaq está em território de correção, quando um ativo acumula perda superior a 10% em relação ao pico mais recente, sendo que o índice caiu 10,78% em comparação ao último recorde.

As ações de tecnologia são algumas das que mais vem caindo com a rotação no mercado acionário americano, já que a reabertura da economia pode levar a população a retomar o consumo de produtos e serviços de outros setores. Hoje, Twitter teve queda de 5,80%, Apple, de 1,58% e Amazon, de 0,91%. 

Bolsas da Ásia

De olho nos Treasuries, a Bolsa de Tóquio caiu 2,13%, enquanto a de Hong Kong recuou 2,15%, a de Seul, 1,28% e a de Taiwan, 1,88%. Na China continental, a Bolsa de Xangai teve baixa de 2,05% e a de Shenzhen cedeu 2,90%.

Na Oceania, a Bolsa australiana também foi tomada pela onda de mau humor disparada pelos Treasuries e caiu 0,84% em Sydney.

Bolsas da Europa 

O mercado europeu ficou sem sinal único, após as vendas no varejo da zona do euro recuarem 5,9% na comparação de janeiro com dezembro. A taxa de desemprego, por sua vez, ficou estagnada em 8,1% no mesmo mês. 

O índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as principais ações do continente, encerrou o pregão com perda de 0,37%, enquanto a Bolsa de Londres perdeu 0,37%, Frankfurt recuou 0,17% e Lisboa cedeu 0,54%. Na contramão, Paris teve alta de 0,01%, Milão, de 0,20% e Madri, de 0,30%

Petróleo 

petróleo disparou e fechou a sessão de hoje em forte alta, após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) anunciar que vai manter os níveis de produção da commodity de março também em abril, incluindo os cortes na produção da Arábia Saudita, de 1 milhão de barris por dia (bpd). A decisão foi divulgada em comunicado após reunião do cartel nesta quinta-feira.

O WTI para abril fechou em alta de 4,16%, cotado a US$ 63,83 o barril, maior valor de fechamento da commodity desde abril de 2019, segundo a Dow Jones Newswires. Já o Brent com entrega prevista para maio avançou 4,17%, a US$ 66,74 o barril. Os contratos chegaram a subir 5%, diante de relatos na imprensa internacional que precederam o comunicado da Opep+./ MAIARA SANTIAGO, GABRIEL CALDEIRA E MATHEUS ANDRADE

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