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Segunda divisão

A agência de classificação de risco Fitch derrubou a qualidade dos títulos do Brasil para o nível que o mercado financeiro chama de lixo

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2015 | 21h00

Nesta quinta-feira, foi a vez da Fitch, uma das três grandes agências de classificação de risco, de derrubar a qualidade dos títulos do Brasil para o nível que o mercado financeiro chama de lixo (junk bond). Pior que tudo, deixou registrado no seu comunicado que “a perspectiva é negativa”, o que aponta para a iminência de novo rebaixamento.

Como agora são duas as agências que já rebaixaram a nota dos títulos de dívida do Brasil para o nível de especulação (a primeira foi a Standard & Poor’s, em setembro), ficou inevitável a desova e a rejeição desses ativos por um grande número de fundos e administradoras de patrimônio. São instituições que, por lei ou disposição estatutária, não admitem a manutenção em carteira de títulos sujeitos a esse nível de calote, como agora são os do Brasil.

Por efeito da lei da oferta e da procura, a rejeição desses títulos implica redução do seu preço de revenda no mercado. Com isso, a parcela correspondente aos juros contratuais (cupom), que é fixa, ganha relevância em relação ao valor do título. Se valia R$ 1 mil e pagava juros de 14,25% ao ano, esse título vale agora, digamos, R$ 900 e continuará pagando os mesmos 14,25% ao ano, sobre um principal mais baixo. Ou seja, sobe a remuneração (yield) e, por consequência, disparam os juros das eventuais emissões seguintes dos títulos do Brasil.

Por trás da decisão da Standard & Poor’s e da Fitch, que mais dia menos dia será seguida pela Moody’s, está a desastrada condução das contas públicas pelo governo Dilma, agora agravada pela decisão de reduzir ainda mais o superávit primário (sobra para pagamento da dívida) do Orçamento da União de 2016, que deveria ser de pelo menos 0,7% do PIB. Ou seja, apesar das ameaças de rebaixamento, o governo Dilma não fez o que tinha de fazer para consertar os estragos da área fiscal. Não pode mais usar o argumento de que precisa cortar despesas para preservar o grau de investimento de pelo menos duas agências de risco.

As incertezas provocadas pela crise política e pelo encaminhamento do processo de impeachment precipitaram as decisões da Fitch que se esperavam apenas para 2016.

A perspectiva agora é de disparada da dívida pública que hoje é de 66,1% do PIB, em direção aos 80% do PIB e daí para o que Deus quiser.

Como a situação fiscal foi para o saco, a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, aquele que engoliu derrota após derrota no miolo do governo, está reduzida a questões formais. Além disso, estão sobre a mesa pautas ainda mais graves do que essa, como a própria permanência da presidente Dilma à frente deste governo desintegrado.

Nesse contexto, discussões sobre quem substituirá Levy e com que política econômica perdem relevância. Se a presidente Dilma conseguir sobreviver ao processo de impeachment, será importante saber se vai continuar perseguindo um mínimo de ajuste fiscal ou se terá uma recaída em direção às esquisitices da Nova Matriz Macroeconômica dos tempos Mantega-Augustin, que afundaram seu governo.

CONFIRA:

Acompanhe aqui a trajetória das cotações do dólar nesta primeira quinzena de um dezembro turbulento.

 

Sete anos depois

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) aumentou, nesta quinta-feira, os juros básicos sobre o dólar (Fed funds) em 0,25% ao ano, depois de terem permanecido estancados próximos de zero durante sete anos. No comunicado, o Fed avisou que espera agora que a inflação convirja para o nível de 2,0% ao ano e que seus próximos passos dependem da leitura que fizer a respeito do comportamento da economia e do emprego.

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