Segunda maior cervejaria do mundo prepara oferta à rival

Gigante InBev faz propotsa de US$ 46 bi para faturar a norte-americana Anheuser-Busch, da Budweiser

Hélio Barboza, da Agência Estado,

23 de maio de 2008 | 17h46

A InBev, segunda maior cervejaria do mundo e gigante criada pela fusão da belga Interbrew com a brasileira Ambev, prepara uma oferta de US$ 46 bilhões pela rival Anheuser-Busch, cervejaria norte-americana que fabrica a Budweiser. A informação é da seção FT Alphaville, do Financial Times. O acordo é considerado um movimento "transformador" pelos executivos e banqueiros envolvidos e deve abrir caminho para o tão esperado encerramento da consolidação do setor mundial de bebidas. A InBev quer criar o quinto maior grupo de bens de consumo do mundo. A companhia planeja uma abordagem direta ao executivo-chefe da Anheuser, August Busch IV, e apesar de esperar uma recepção fria, se prepara para enviar logo em seguida uma carta para toda a diretoria da norte-americana, detalhando os termos da proposta. A expectativa é de que a oferta seja de US$ 65 por ação. Caso a Anheuser se recuse a iniciar negociações amistosas, a InBev estuda fazer um apelo público diretamente aos acionistas da empresa. Nesta sexta-feira, 23, fontes indicaram que, embora tenha trabalhado intensamente sobre a eventual transação, a InBev "não está prestes a apertar o botão". A união das duas companhias, porém, criaria uma empresa com valor de mercado de quase US$ 100 bilhões e formaria a mais ambiciosa consolidação corporativa desde o surgimento da crise de crédito, em meados do ano passado. Juntas, Anheuser e InBev ficariam igualmente equilibradas entre os mercados emergentes e os de países desenvolvidos, produzindo anualmente cerca de 350 milhões de hectolitros de cerveja e de outras bebidas. A receita anual seria de cerca de US$ 20 bilhões, gerando lucros de quase US$ 6 bilhões em Ebitda. Um pacote de financiamento - que alcança US$ 50 bilhões - já foi estruturado provisoriamente com os bancos JPMorgan e Santander. Isso leva em conta que a oferta seria seguida por oferta de ações em um prazo de cerca de 12 meses, quando o grupo resultante da operação levantaria entre US$ 10 bilhões e US$ 17 bilhões para pagar um empréstimo-ponte. O assunto foi discutido no âmbito da reunião do conselho da InBev em 28 de abril e numa outra reunião, realizada na quinta. Antonio Weiss, da Lazards de Paris, é o principal assessor financeiro da Inbev sobre o assunto. No lado financeiro, negociações diretas devem ter ocorrido entre Felipe Dutra, diretor-financeiro da InBev, e Jamie Dimon, do JPMorgan. Ao mesmo tempo, o ex-presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, representa a InBev nas discussões com Emilio Botin, do Santander. A assessoria jurídica é fornecida pela firma Sullivan & Cromwell, com o principal sócio para a área de fusões e compras, James Morphy, trabalhando sobre a transação em Nova York. Fontes próximas disseram que uma primeira abordagem da InBev à Anheuser foi feita informalmente em outubro, mas August Busch teria insistido que preservaria a independência da Anheuser e que desejaria tempo para mostrar seu valor num cargo para o qual ele havia acabado de ser promovido. Assessores da InBev, porém, acreditam que Busch agora pode sucumbir à pressão dos acionistas para abrir negociações de fusão e que o conselho da Anheuser se sentiria na obrigação de dar andamento ao processo e considerar formalmente uma proposta, se recebessem uma oferta sigilosa com um prêmio substancial. Para a transação, a Anheuser usa o codinome Aluminum, enquanto a InBev é chamada de Nest.

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