Segundo o Banco Mundial, 1,2 bilhão de pessoas não têm eletricidade

Número equivale a toda a população da Índia; o sul da Ásia e a África Subsaariana são as regiões onde o acesso à energia elétrica é mais complicado

Altamiro Silva Júnior, correspondente, Agência Estado

28 de maio de 2013 | 10h44

NOVA YORK - A energia elétrica ainda é um privilégio de poucos em certas partes do planeta e a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de levar eletricidade a 100% da população até 2030 pode não ser alcançada. Nada menos do que 1,2 bilhão de pessoas, o equivalente a toda a população da Índia, não têm acesso à eletricidade hoje no mundo, mostra um estudo, divulgado nesta terça-feira, 28, pelo Banco Mundial, que avaliou a situação em cerca de 170 países. Ao todo, 2,8 bilhões de pessoas ainda precisam confiar na madeira ou outro tipo de biomassa para cozinhar e se aquecer.

As regiões onde o acesso à energia elétrica é mais complicado e precário é no sul da Ásia e na África Subsaariana. Do 1,2 bilhão de pessoas, 87% estão concentrados nessas duas regiões, de acordo com o Banco Mundial. No geral, o acesso à eletricidade é mais precário em zonas rurais, pois 85% das pessoas que vivem sem eletricidade não residem nas cidades. O estudo mostra que no Brasil 100% das pessoas têm acesso à energia nas cidades e 99%, no campo.

Nos últimos anos, o acesso das pessoas à energia elétrica tem aumentado, sobretudo nas regiões urbanas. De 1990 a 2010, em torno de 1,7 bilhão de pessoas passaram a ter acesso à eletricidade. Mas isso não fez o porcentual da população com acesso a energia crescer muito, pois o número de habitantes do planeta aumentou em 1,6 bilhão de pessoas no mesmo período. A taxa de pessoas com acesso à eletricidade passou de 76% para 83% de 1990 a 2010, destaca o documento. O objetivo da ONU, que, em 2011, lançou o programa "Energia Sustentável para Todos", é o de que o porcentual seja de 100% até 2030.

Investimentos

Alcançar esse número, porém, pode não ser possível. Um dos motivos é que aumentar o acesso da população à eletricidade exigiria investimentos bilionários. Só para aumentar a geração de eletricidade seriam necessários investimentos de US$ 45 bilhões anuais, concentrados na África e Ásia.

Os investimentos seriam muito maiores quando se combinam as três metas da ONU: levar eletricidade a 100% da população, dobrar a fatia de energia renovável e dobrar a taxa de eficiência energética. O investimento global para se alcançar esses três objetivos teriam de ser entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões ao ano acima dos níveis de US$ 400 bilhões estimados inicialmente pelos idealizadores do projeto.

"A demanda continua a superar a oferta de eletricidade", afirmou a vice-presidente do Banco Mundial, Rachel Kyte, em texto divulgado comentando o relatório. Para elevar a produção e a eficiência, aumentar a participação de energia renovável e garantir acesso a 100% da população, podem ser necessários esforços nunca vistos antes, disse ela.

Além dos altos investimentos, os técnicos do Banco Mundial destacam que, se as tendências mundiais no setor de energia e na economia global verificadas nas últimas duas décadas se repetirem daqui para a frente, será mais um fator para dificultar o alcance da meta da ONU. Pelas estimativas reveladas no estudo, o porcentual da população com acesso à energia chegaria a 88% em 2030, considerando o crescimento da população mundial e da expansão da rede de energia. Isso significa que cerca de um bilhão de pessoas ainda estariam sem energia elétrica naquele ano.

O relatório aponta dois problemas para o setor elétrico. O acesso das pessoas à eletricidade tem crescido no mundo. Mas, muitas vezes, os serviços oferecidos pelas empresas do setor é de baixa qualidade. Outro ponto é que a rápida urbanização de algumas regiões pelo planeta tem feito a expansão da rede elétrica crescer apenas em níveis modestos em certas regiões metropolitanas.

O Banco Mundial coordenou o estudo em conjunto com a Agência Internacional de Energia e mais 15 órgãos multilaterais. O objetivo foi fazer um panorama mundial do acesso à energia e discutir formas para melhorar o acesso da população mundial e a eficiência do setor.

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