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Segundo presidente do Bradesco, nível do dólar está inadequado

Segundo Octávio de Lazari Júnior, após as eleições, intervalo esperado seria entre R$ 3,70 e R$ 3,80

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2018 | 04h00

O atual patamar do dólar, que chegou nesta terça-feira, 28, à casa dos R$ 4,14, não está adequado para a realidade do Brasil, na opinião do presidente do Bradesco, Octávio de Lazari Júnior. Para o executivo, um intervalo esperado, passadas as eleições, seria algo entre R$ 3,70 a R$ 3,80. 

Apesar disso, Lazari não vê impactos para o banco ou para as empresas brasileiras por conta da valorização da moeda americana no País. Ele acrescentou, contudo, que no nível em que está o dólar, há uma maior procura por parte das empresas brasileiras por hedge (proteção contra a variação cambial).

“As empresas brasileiras não são alavancadas em linhas de crédito em dólar e não devem sofrer impacto pelo atual patamar da moeda. As companhias aprenderam no passado”, disse Lazari, que participou nesta terça-feira de reunião com analistas e investidores em São Paulo.

Na avaliação do executivo, as eleições no País têm provocado impacto na demanda por crédito por parte das empresas, e no lado das pessoas físicas, o ritmo de concessão de crédito poderia estar maior, embora não esteja ruim. “As empresas não vão fazer investimentos vultosos se não tiver um cenário eleitoral mais claro. Temos algumas operações em crédito corporativo mais pontuais. Os projetos estão na gaveta. A demanda atual é por capital de giro”, disse.

Para ele, quem está empregado e “tranquilo” tem buscado crédito. Acrescentou também que as operações que aparecerem na pessoa jurídica o Bradesco vai aproveitar. Recentemente, o banco bateu a concorrência ao levar uma operação bilionária da Suzano para pagar a aquisição da Fibria via uma emissão de debêntures.

“Nunca vimos eleição como a que estamos vivendo hoje em termos de indefinição. Mas esperamos que, após a eleição, tudo vai convergir para a mesma direção”, disse. Lazari afirmou que no primeiro ano após as eleições a economia sempre cresce. Acrescentou ainda que a pauta do Brasil está dada, independentemente de quem vencer as eleições, mencionando a questão fiscal. “Nosso problema é fiscal na primeira instância”, destacou ele.

Instituição espera que empréstimos cresçam de 3% a 7% neste ano

O presidente do Bradesco reafirmou que o banco espera ficar dentro da previsão já feita de crescimento de empréstimos neste ano, de 3% a 7%. Segundo ele, a instituição quer crescer em crédito, mas em operações que permitam fidelizar o cliente e com juros mais adequados. Na pessoa física, o banco prioriza, conforme Lazari, linhas de crédito para imóveis, veículos e consignado, enquanto que na pessoa jurídica tem em seu radar, principalmente, os investimentos.

A projeção do Bradesco é que seu índice de inadimplência continuará em queda nos anos de 2019 e 2020, mas o ritmo de redução não será “tão drástico” quanto o visto neste ano e no ano passado. O desempenho do indicador, segundo Lazari, depende, contudo, da atividade econômica brasileira e ainda do nível de emprego no País.

“O comportamento da inadimplência vai depender do que acontecer com o País, sua situação econômica e o nível de empregos. Se o País voltar a crescer e melhorar, o que observamos pelos modelos é de que, na pessoa jurídica, os grandes problemas foram resolvidos e liquidados. Não devemos ter grandes surpresas”, disse.

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