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'Segundo semestre será melhor do que o primeiro'

Para Moan, os primeiros seis meses foram atípicos por causa da menor quantidade de dias úteis e pelo clima negativo causado pela Copa

Entrevista com

Luiz Moan, presidente da Anfavea

Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2014 | 18h00

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, vê uma retomada do setor neste segundo semestre. "Estamos prevendo crescimento tanto em licenciamento, exportação e produção", diz. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.

O que explica a queda da indústria automobilística?

Tivemos um primeiro semestre bastante atípico com menor número de dias úteis de venda. Tivemos também aquele clima negativo por causa da realização da Copa do Mundo. Isso afetou bastante o mercado interno. Tivemos ainda uma dificuldade adicional com a Argentina. Além da queda natural de mercado, a economia argentina fez restrições administrativas às importações. Nossa posição continua inalterada: o segundo semestre será melhor do que o primeiro. Prevemos crescimento em licenciamento, exportação e produção.

Quais os motivos que levam a esse otimismo no segundo semestre?

Em primeiro lugar, o maior número de dias úteis de vendas no segundo semestre em relação ao primeiro. O segundo motivo é a sazonalidade histórica das nossas vendas. Com relação à Argentina, depois que nós fechamos o acordo de junho, as restrições administrativas - até a semana passada - foram suspensas. Não havia nenhuma dificuldade. Com esses fatores, nós acreditamos claramente que o segundo semestre será melhor.

A GM anunciou que vai parar a exportação para a Argentina. Isso não impacta?

Por isso eu disse até a semana passada. Agora, qual é a nossa visão dessa questão? Acreditamos que essa discussão na Argentina é de momento. As nossas empresas estão fazendo uma série de reuniões com o governo da Argentina e acreditamos que rapidamente essa questão possa ser superada. Eu gostaria de lembrar que em junho fechamos o acordo de maior integração produtiva com a Argentina. O melhor para os dois países seria que não houvesse restrição de volume nem de fluxo cambial no setor, porque de janeiro a agosto atingimos o equilíbrio da balança comercial. Por exemplo, de janeiro a agosto, o Brasil, no setor automotivo, exportou US$ 4,838 bilhões e importou da Argentina US$ 4,781 bilhões. Ou seja, a balança comercial está favorável ao Brasil em US$ 57 milhões contra US$ 1,325 bilhão, no mesmo período de 2013.

Qual a projeção para investimentos?

Continuamos mantendo a previsão de investimento de R$ 75,8 bilhões no setor de montadora de 2012 a 2018.

Tem havido descompasso entre produção e consumo?

O descasamento ocorre numa análise pontual, mas nosso investimento é sempre de médio e longo prazos. Não é uma crise pontual e conjuntural que vai afastar os investimentos. O mercado vai continuar crescendo. Entramos numa curva de retomada em relação ao primeiro semestre e estamos trabalhando na ampliação dos acordos de comércio. Abrimos a possibilidade de negociação com a Colômbia. Na próxima semana, estarei pessoalmente no país para dar prosseguimento a negociação. Em outubro, provavelmente faremos com os mexicanos.

Houve restrição do crédito. O BC anunciou medidas. Elas serão suficientes?

Nós temos certeza de que as medidas anunciadas devem começar a impulsionar o mercado. O financiamento já voltou para veículos seminovos, que funcionam como cheque de entrada para aquisição de veículo zero. Mas nós precisamos esperar setembro e outubro para ter uma visão melhor. Consumidores querendo adquirir veículos existem.

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