Leo Lara/Fiat Chrysler - 11/5/2020
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coluna

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Segundo trimestre deverá ter queda recorde no PIB

A partir de abril, os efeitos das restrições de oferta e demanda resultantes das medidas de afastamento social serão fortemente sentidos na atividade econômica

José Ronaldo de C. Souza Jr*, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2020 | 11h29

Os dados de PIB são sempre divulgados dois meses depois de terminado o trimestre. Ainda assim, geram grande interesse e costumam causar alterações nas previsões de PIB do ano corrente. Os dados divulgados nesta sexta-feira, 29, embora não deixem de ser relevantes, retratam um momento da economia que já parece um passado distante.

O crescimento de 4,3% dos investimentos (em relação ao primeiro trimestre de 2019) retratam um momento completamente diferente do atual. Apenas a partir da segunda metade de março, os efeitos da pandemia de covid-19 sobre a economia brasileira passaram se intensificar.

No PIB do segundo trimestre deste ano, porém, os efeitos das restrições de oferta e demanda resultantes das medidas de afastamento social serão fortemente sentidos. No mês de abril, de acordo com o Boletim de Acompanhamento Setorial da Atividade Econômica do Ipea, a indústria geral produziu 44,6% a menos que no mesmo período do ano passado. Na mesma base de comparação, o volume de vendas no conceito ampliado e a receita de serviços tiveram quedas de 44,5% e 26,7%, respectivamente. São quedas muito fortes e disseminadas, que tendem a causar uma queda recorde no PIB neste segundo trimestre.

Um dos destaques negativos foi a produção de automóveis, que caiu mais de 90% em relação a abril de 2019. As vendas de veículos, apesar de terem caído muito também, apresentaram perda menor, de 47%. Isso sugere que pode haver uma melhora marginal, na comparação com abril, já no mês de maio - como indica a melhora do consumo de energia do setor no mês.

Aliás, alguns setores que são grandes consumidores de energia, indústrias de metalurgia, de produtos de metal e de minerais não metálicos, também apresentaram aumento no consumo de energia já em maio.

No mês de junho, é possível que se inicie um processo de recuperação parcial de outros setores da economia. Porém, a reabertura dos setores hoje fechados total ou parcialmente tende a ser paulatina e deverá encontrar um consumidor cauteloso e com renda mais baixa e incerta.

* José Ronaldo de Castro Souza Júnior é diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

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