Tim Sloan/AFP
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Seguradoras já têm US$ 24 tri em ativos e FMI alerta para risco sistêmico

Relatório do Fundo destaca a participação cada vez maior dessas empresas no sistema financeiro mundial e pede atenção aos governos

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2016 | 12h57

NOVA YORK - O peso das seguradoras, segmento que vem tendo crescimento rápido sobretudo nos países emergentes, aumentou no mercado financeiro mundial e essas companhias já contam com US$ 24 trilhões em ativos financeiros. Com isso, cresceu também o risco sistêmico das empresas de seguro, especialmente em um cenário de juros negativos em regiões como Europa e Japão, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI) em um estudo divulgado nesta segunda-feira que faz parte do Relatório Estabilidade Financeira Global.

As operações das seguradoras de vida e não-vida têm registrado crescimento rápido em países emergentes como o Brasil e China, afirma o relatório do FMI, mas ainda possuem negócios mais amplos nos países desenvolvidos, como Estados Unidos, Europa e Japão.

Desde a crise financeira mundial, as seguradoras têm aumentado o papel no sistema financeiro mundial, sendo um dos principais investidores institucionais do planeta. Com isso, passaram a ficar mais sujeitas às oscilações dos preços dos ativos e mais recentemente aos juros negativos, que passaram a ser adotados no Japão e na zona do euro, além de outras regiões.

"Quanto mais baixas as taxas de juros, mais vulneráveis as seguradoras se tornam", afirma o relatório do FMI, destacando que as companhias de vida podem ter dificuldades em conseguir cumprir suas obrigações futuras com retornos tão baixos dos ativos no mercado financeiro. Nos países avançados, a contribuição das seguradoras de vida para o risco sistêmico aumentou nos últimos anos, embora ainda permaneça "claramente abaixo da contribuição dos bancos", afirma o relatório do FMI.

A recomendação do FMI é que os governos precisam ficar mais atentos à importância sistêmica das seguradoras, por meio de uma avaliação macroprudencial. Reguladores e supervisores do setor devem ir além da análise de solvência e riscos de contágio de seguradoras individuais e redobrarem a atenção ao fato de que as companhias de seguro são crescentemente vulneráveis aos mesmos riscos de outras instituições do setor financeiro.

Risco. O fator de o risco sistêmico das seguradoras ter aumentado, afirma o FMI, não está relacionado ao fato de o setor como um todo ter elevado a exposição a papéis de maior risco. A parcela da exposição a ativos mais arriscados tem se mantido constante. Contudo, tem havido crescente diferenciação entre as seguradoras ao redor do mundo. "Companhias menores, mais fracas e menos capitalizadas parecem ter tomado mais riscos em um número de países nos últimos anos", afirma o FMI. Além disso, seguradoras de vida têm mais passivos futuros do que ativos, o que as tornam particularmente vulneráveis a juros negativos.

"Fatores amplos de mercado, como a maior correlação observada entre as classes de ativos, significam que mudanças nos preços dos papéis afetam as seguradoras de vida em formas cada vez mais similares", afira o chefe da divisão de análise da Estabilidade Financeira Global, Gaston Gelos.

Uma das medidas específicas para as seguradoras sugeridas pelo FMI são a constituição de colchões de proteção de recursos, uma reserva financeira extra criada em tempos de crescimento para ser usada em épocas de maior fraqueza, como foi proposto para os bancos pelas regras de Basileia.

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