Segurança nunca foi tão grande

Cinco mil homens devem estar em ação em Davos

Roberto Godoy*, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2020 | 04h00

Os atiradores de elite, os snipers - capazes de atingir uma cabeça a 500 metros de distância -, são muitos e estão em toda parte; no teto dos prédios, no aeroporto, no alto das torres. Tropas de elite cobrem o perímetro da cidade a partir de cinco pontos. Helicópteros artilhados são mantidos em alerta, prontos para entrar em ação, e duplas de caças supersônicos patrulham o céu alpino cinzento quase os dias nessa época do ano, e agora fechado para outros voos a não ser os das autoridades participantes do Fórum Econômico e os da grade dos pousos comerciais, todos rigorosamente controlados. Grandes jatos de alerta antecipado  e controle permanecem em voo dia e noite, vigiando a área. 

Policiais de fardas negras e militares de esquadrões de operações especiais circulam pelas ruas estreitas portando armamento pesado. A intervalos regulares, em esquinas e praças, blindados sobre rodas servem de posto de comando. Em Davos, onde se reúnem desde terça, 21, chefes de Estado, dirigentes da economia do mundo, líderes empresariais globais, analistas e ativistas de todas as faixas do espectro social, o esquema de segurança nunca foi tão grande - e também muito caro. Os custos estimados batem nos US$ 35 milhões. Há uma reserva de emergência de cerca de US$ 10 milhões, informaram ontem o Ministério da Defesa, em Berna, e o governo do estado de Graubünden. Os números dos efetivos envolvidos são considerados informação reservada pelo governo da Suíça mas eram estimados em cerca de 5 mil homens e mulheres em campo, com uma reserva de mais 2,5 mil em regime de mobilização rápida.  

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A primeira ameaça na lista é a de um ataque terrorista. A comitiva do presidente americano Donald Trump foi para Davos na formação padrão adotada nas viagens para zonas de alto risco. O grupo envolve de 200 a 250 pessoas, 70 das quais são agentes do serviço secreto e oficiais das forças armadas. Carros blindados capazes de resistir ao impacto direto de uma arma antitanque, helicópteros e células eletrônicas para comunicações protegidas do presidente foram levadas antecipadamente para a Suiça por imensos cargueiros C-17. Há um plano de contingência para retirar Trump da área em poucos minutos em caso de crise.

Boa parte do orçamento da segurança foi aplicada em infraestrutura. Expansão do terminal aéreo, facilidades para instalação de um centro de inteligência digital, melhorias nas estradas, aumento da rede de comunicações. Davos é uma pequena cidade de pouco menos de 11 mil habitantes. A elegante estação de esqui enfrenta a redução da população residente; desde 2010 o número de habitantes caiu 5% - e continua baixando. O Fórum Mundial é o grande evento da região. As cidades próximas, como Arosa e Bergün, recebem cerca de 3 mil pessoas durante a semana do encontro. O evento dá dinheiro. A previsão é de que as finanças regionais contabilizem algo em torno de US$ 330 milhões em vendas e serviços.

* É JORNALISTA

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