Seguro de celular deixa consumidor confuso

O consumidor que compra um telefone celular recebe uma proposta do vendedor para fazer uma apólice de seguro para seu aparelho. Porém, segundo órgãos de defesa do consumidor, o consumidor não sabe que o seguro cobre apenas roubo ou furto qualificado. Ou seja, se o consumidor apenas perder o celular ou tiver o aparelho furtado sem nenhum ato de violência grave, o seguro não lhe dá um celular novo.A advogada da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, orienta o consumidor a sempre ler atentamente o contrato deste seguro, para saber suas coberturas e cláusulas. "O consumidor deve ficar atento, principalmente, sobre as cláusulas que falam sobre a cobertura e indenização", avisa. Maria Inês destaca que grande parte dos contratos deste tipo de seguro não trazem as informações de forma clara e objetiva. "o consumidor fica confuso e não sabe direito o que o seguro realmente cobre. Os contratos dizem que só cobrem roubos e não cobrem furtos simples mas, não explicam suas diferenças", alerta. Ela avalia que os contratos deveriam ser revisados, pois o Código de Defesa do Consumidor (CDC) determina que as informações ao consumidor devem ser claras e objetivas.Na Fundação Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual, os consumidores também reclamam sobre as informações confusas do contrato. A técnica de serviços do órgão, Maria Cecília Rodrigues, explica que o contrato também coloca o consumidor em desvantagem em alguns pontos. Carência O Procon-SP entende que o consumidor fica em posição de desvantagem com relação à carência do seguro. "O consumidor começa a pagar o seguro na contratação mas, tem carência de 30 dias para utilizar o seguro. Ou seja, se ele tiver o celular roubado neste período perde o aparelho, mesmo pagando o seguro", explica. Outro ponto que a técnica do Procon-SP destaca é que muita lojas não repassam ao consumidor nenhuma cópia da apólice do seguro. "Tem muitos consumidores que não possuem nem a cópia da apólice. Por isso, não sabem quais são as coberturas e as condições deste seguro", comenta. Maria Cecília avisa o consumidor para sempre exigir uma cópia e ler atentamente todas as condições do seguro de telefonia móvel. Diferença entre furto e rouboAs especialistas em defesa do consumidor ressaltam que todos os contratos de seguro para telefone celular cobrem apenas roubos e furtos qualificados. Porém, muitos consumidores não sabem qual a diferença em um furto simples e um furto qualificado ou um rouboA advogada da Pro Teste avisa que furto simples é aquele no qual o ladrão leva a bolsa ou o celular da vítima sem utilizar violência, ou seja, sem ferir a vítima. O furto qualificado é aquele que o ladrão, mesmo desarmado, machuca a vítima para levar o telefone celular. "No roubo, o ladrão está armado e normalmente se utiliza de violência ou agressão física para levar o celular. Por exemplo, um assalto a mão armada é considerado roubo", explica Maria Inês.A técnica do Procon-SP destaca que estas diferenças não estão expressas nos contratos e, por isso, provocam grandes confusões na hora do consumidor receber o seguro. "Muitos consumidores pensam que têm direito a indenização pois, não sabem que o contrato não cobre furto simples. Isto porque, não está claro nos contratos que a indenização não será paga nestes casos", alerta. Maria Cecília aconselha o consumidor que tiver problemas com este tipo de seguro a dirigir-se aos órgãos de defesa do consumidor de sua cidade. Se o caso não for resolvido, pode recorrer à Justiça. Vale lembrar que, nas ações cujo valor da causa não ultrapasse 40 salários mínimos (R$ 8 mil), há o benefício do Juizado Especial Cível. Até 20 salários (R$ 4 mil), a presença do advogado fica dispensada. Acima destes valores, o processo é encaminhado à Justiça comum.

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