Seguro-desemprego em alta

Só em S. Paulo, 1 milhão de pessoas pediu o benefício

Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Quase um milhão de pessoas foram atendidas no balcão do seguro-desemprego das Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs) no Estado de São Paulo em 2008. De janeiro até 15 de dezembro, os atendimentos para a concessão do benefício chegaram a 951.614 nos postos da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, segundo levantamento preliminar do órgão. O número não leva em conta os contatos nos postos parceiros, como os do Poupatempo, e no Sistema Nacional de Emprego (Sine). Até outubro, os números do Ministério do Trabalho mostravam um aumento de 3% nas habilitações do seguro-desemprego, comparado com o mesmo período de 2007. Mas, segundo os atendentes das DRTs, o volume de pessoas aumentou nos últimos dois meses. "Desde a metade de novembro tem feito bastante fila nas homologações e no seguro-desemprego", disse um servidor. O montador de gesso Paulo Sousa engrossava a fila do seguro-desemprego no início da semana. Ele foi demitido há dois meses e resolveu pedir o benefício quando o dinheiro do acerto trabalhista começou a acabar. "Eu tenho que sustentar minha esposa e três filhos", diz.Sousa tem direito a quatro parcelas de R$ 489, menos que os R$ 660 que recebia na obra e menos do que o suficiente para cobrir as despesas domésticas. "Hoje tenho que fazer uns bicos para manter o sustento." Para quem não consegue emprego temporário, a solução é conter os gastos. O auxiliar de escritório Bruno Igor da Silva diz que a ceia de Natal vai ser mais magra neste ano. "Vamos suspender o peru e fazer só um churrasquinho", diz. Silva ganhava R$ 800 até novembro, quando foi demitido.Agora vai ter de contar com as três parcelas de R$ 550 do seguro-desemprego para sustentar a mãe e do irmão mais novo, de oito anos. "Cortamos o telefone de casa e eu já renegociei um a dívida do cartão de crédito com o banco para economizar", diz ele.

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