Seguro do carro: problemas nos contratos

Os seguros de carro deveriam, em tese, amparar o consumidor. Mas, mesmo com apólices pagas em dia, quando ocorre um acidente as chances de o dono do veículo sair prejudicado são bem grandes. Isso porque muitas pessoas não lêem as propostas e as seguradoras nem sempre apresentam o contrato completo antes de ele ser assinado. Uma análise do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) feita com sete companhias - AGF Brasil, Bradesco, Itaú, Marítima, Porto Seguro, Sul América e Unibanco - revelou sérios problemas por trás dos tão atraentes seguros vendidos pelos corretores. O Instituto apurou que algumas seguradoras não informam quando será feito o pagamento em caso de roubo ou assalto, com perda total do veículo. O Código de Defesa do Consumidor deixa claro essa questão: o período máximo é de 30 dias. O segurado também encontra dificuldade em saber o valor a que tem direito em caso de indenização. Diversas pessoas procuraram o Idec para reclamar que receberam quantias inferiores aos valores pelos quais vinham pagando.Aviso prévioPara o gerente de serviços aos associados do Idec, Marcos Diegues, as empresas também têm o dever de informar ao cliente que o contrato está prestes a ser suspenso por falta de pagamento. "O cancelamento unilateral é arbitrário", explica. Por lei, as companhias podem cobrar os valores atrasados, mas se houver acidentes devem indenizar até mesmo o consumidor inadimplente."Na verdade, os dois lados devem assumir suas responsabilidades", diz o vice-presidente da Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg), Júlio Avellar. Ele comenta que, se de um lado há empresas que se aproveitam da complicação dos contratos, de outro também há consumidores que não lêem as propostas. Segundo Avellar, 9 em cada 10 pessoas preferem o comodismo de comprar o seguro em casa, pelo telefone, e não estão preocupados com as cláusulas do contrato. Para o vice-presidente da Fenaseg, um avanço no setor deve ocorrer com a entrada em vigor da circular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), que define regras rígidas aos contratos. A nova circular determina que o valor dos automóveis será fixado por uma tabela de domínio público e acabam as franquias em caso de perda total do veículo. A norma deverá ser publicada no Diário Oficial da União ainda esta semana e as empresas terão 90 dias para se adequar às novas regras.Veja a seguir matéria sobre as novas regras da Susep.

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