Seguro para obra de Belo Monte atrasa negociações

Empreiteiras estão tendo dificuldade porque, além do alto custo, muitas estão comprometidas com outras construções

Leonardo Goy / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

A negociação do consórcio responsável pelo projeto de Belo Monte com as empreiteiras que querem construir a usina está relativamente atrasado por conta da contratação do seguro da obra, segundo uma fonte da Norte Energia S.A., empresa formada pelos sócios que venceram o leilão da hidrelétrica, em abril.

"Com as empreiteiras, as conversas estão em 60% ou 70%", disse o executivo. Isso se deve a, pelo menos, três fatores, sendo que o principal é o alto valor do seguro garantia que terá de ser apresentado pelos construtores. Essa é, segundo a fonte, uma exigência que custa dinheiro às empreiteiras. "As empreiteiras querem a maior fatia da obra, pagando a menor garantia possível", queixou-se.

O problema é que, segundo o executivo, além do seguro representar um custo para as empreiteiras, a despesa ainda pesa negativamente no balanço das construtoras.

Outro problema é o preço dos serviços cobrados pelas empreiteiras, que o consórcio de Belo Monte (Norte Energia S.A.) não está conseguindo reduzir. O terceiro entrave é o próprio excesso de interessados, já que, além de grandes construtoras que não fazem parte do consórcio - como Andrade Gutierrez, Odebrecht e Camargo Corrêa -, também as construtoras que estão na Norte Energia disputam os contratos, entre as quais estão, por exemplo, a OAS e a Queiroz Galvão.

Para o economista Gustavo Cunha Mello, sócio da Correcta - corretora especializada em seguros de obras -, as dificuldades na contratação de seguro pelas empreiteiras são uma consequência da grande quantidade de empreendimentos em andamento no País. Mas o problema, ressalta, não é falta de oferta de seguros.

"Algumas construtoras, algumas delas, estão tão alavancadas que não estão conseguindo fazer seguro. Não é o mercado de seguros que não tem capacidade, é a construtora que já está com muito projeto para pouco patrimônio", disse. Mello explicou que, quanto mais projetos uma construtora assumir, mais cresce seu risco e, portanto, mas difícil se torna a contratação do seguro de uma nova obra.

Ele ressaltou que esse contrato serve para assegurar que a empreiteira escolhida entregará a construção. "Quem está pagando quer uma garantia de que a construtora entregará a obra", disse.

Opção. Segundo ele, essa garantia pode ser feita também por meio de fiança bancária, mas o seguro é a modalidade mais comum. Tomando como base a estimativa oficial de investimento total de R$ 19 bilhões em Belo Monte, e considerando o porte das construtoras interessadas no contrato, Mello calcula que o seguro da obra inteira custaria, anualmente (até a usina estar pronta), cerca de R$ 9,5 milhões. O valor, porém, não deve ser pago por uma única empresa, já que a tendência é de que Belo Monte seja erguida por mais de uma empreiteira.

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