Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Seis portos enfrentaram problemas com protestos de caminhoneiros nesta terça

Manifestações da categoria tiveram início nesta segunda-feira, 21, e seguem bloqueando estradas em 23 Estados e DF

Victoria Abel, especial para o Estado

22 Maio 2018 | 19h39

Seis dos principais portos para escoamento de produção brasileira sofreram com os reflexos dos protestos de caminhoneiros que interditam rodovias e estradas. Apenas os portos do Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Itajaí (SC) e Itaquí (MA) tiveram operações normais nesta terça-feira. Em Santos (SP), o bloqueio acontece diretamente no acesso ao porto.

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As manifestações no Porto de Santos se concentraram nas entradas do Viaduto da Alemoa e da Rua do Adubo. Os terminais paulistas são responsáveis por grande parte exportação de açúcar, álcool e café em grãos.

O impedimento de acesso ao local traz redução nas atividades de recebimento e entrega de mercadorias, segundo Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), administradora do porto.

Dos 1 mil caminhões que estavam previstos para chegada no Porto de Paranaguá (PR), apenas 47 deram entrada no pátio de triagem na manhã desta terça-feira. A queda no movimento se deve, principalmente, à interdição parcial da BR 277, no km 6.

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Segundo a Superintendência da Polícia Rodoviária Federal do Paraná, o mesmo grupo de caminhoneiros ocupou a estrada, convidando novos motoristas a participarem do ato. Aqueles que não aceitam são coagidos a retornar.

Os estoques no terminal de carga do porto ainda levarão dez dias para serem embarcados. Após esse período, poderá haver prejuízo no escoamento da produção de grãos da região, relatou a Assessoria de Comunicação do Porto de Paranaguá.

Em Rio Grande (RS), bloqueios no km 66 da BR 293, próximo ao município de Pelotas, afetaram a movimentação do complexo portuário que não recebe caminhões desde esta segunda-feira. Segundo a Assessoria de Comunicação, o volume de demanda para escoamento de commodities agrícolas não é tão grande, portanto o prejuízo pode ser menor do que em outros estaleiros.

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Já em Santa Catarina, interdições na BR 208, na altura do km 21, em Araquari, impediram a chegada de caminhões ao porto da Ilha de São Francisco do Sul. No entanto, não há mensuração de prejuízos no escoamento de carga, segunda a Assessoria de Comunicação do porto.

O mesmo acontece no Porto de Imbituba (SC), que não recebeu caminhões desde o início das manifestações. O prejuízo na manutenção dos produtos estocados é resposta ao bloqueio da BR 101, na altura do acesso à cidade Imbituba.

Também não houve entrada de cargas nesta terça-feira no Porto de Suape (PE). Interdições na BR 101, no km 83, próximo ao trevo da cidade de Jabotão, impedem que caminhoneiros sigam até a entrada do porto.

Filas em Santos. Na Rua do Adubo, no Guarujá, via que dá acesso ao Porto de Santos, os caminhões começaram a parar às 6 horas de segunda-feira. O caminhoneiro Albert Cardoso, de 36 anos, foi o primeiro a estacionar e puxa a fila que se estende por 1,2 km em duas pistas – só carros podem passar.

Temos de dar apoio (à greve). Do jeito que os preços estão, não tem como continuar”, diz ele, que é motorista há 13 anos. Cardoso não é dono do caminhão. Trabalha para uma empresa, mas diz que, mesmo assim, o preço do diesel e dos pedágios pesam. “Com custos altos, não vou ter aumento.”

Gilberto Ferreira, de 38 anos, funcionário de uma transportadora, diz que sua comissão pode reduzir por causa das altas no combustível. Com salário de R$ 3 mil, este mês ele recebeu R$ 1,1 mil de comissão. “Ganhamos 3% do faturamento do caminhão. Se a empresa tem custo mais alto, paga menos.” Ele deveria ter carregado o veículo na segunda-feira com nitrato de amônio em Cubatão (SP) para levar até o Estado do Pará.

Apesar de ser a favor, o caminhoneiro Marcio Antonio Claro, de 51 anos, tentou fugir da greve. Descarregou uma carga de soja em Santos às 5h30 de segunda e tentou voltar para casa em Colina (SP). Ficou preso na fila de caminhões e não sabe quando sairá. “Para ir ao banheiro preciso de caminhar 1,5 km até uma associação”, conta ele.

A 25 km, na Rodopark, empresa em Cubatão que coordena a chegada de caminhões no porto, cerca de 180 veículos estão parados desde segunda-feira. Eraldo Francisco Viana deveria ter descarregado soja anteontem em Santos. “Não sei quando vou embora, mas, se derrubarem o preço do óleo vai ser bom. Meu patrão tem 150 caminhões. Se quebrar, são 150 chefes de família sem emprego”, disse, enquanto preparava o jantar./COM LUCIANA DYNIEWICZ

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