Seis setores passam de importadores a exportadores

Apenas seis setores passaram de importadores líquidos na média anual, no período de 1995 a 1998, para exportadores líquidos em 2002, segundo estudo da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). Peças e outros veículos (aviões), Veículos automotores, Têxtil, Minerais não metálicos, Outros produtos alimentares e Outros produtos metalúrgicos - estes setores somaram um déficit médio anual de US$ 3 bilhões no primeiro período e um superávit de US$ 4,2 bilhões no ano passado.De acordo com o Boletim Setorial da Funcex, "pode-se estar apenas captando oscilações conjunturais devidas a flutuações das variáveis macroeconômica, e não mudanças estruturais em nível microeconômico, que é o que realmente importa". Mesmo assim, o documento observa que parece estar ocorrendo uma mudança estrutural em setores como Peças e outros veículos, "por conta exclusivamente da Embraer"; Veículos automotores e Têxtil.No caso de Veículos automotores, a redução de importações foi de 45,5% em 2002 em comparação com o ano anterior, a maior queda nas compras ao exterior. O valor importado pelo setor no ano passado, US$ 1,1 bilhão, é menor que os registrados durante todo os anos do Plano Real.O mesmo estudo identifica um segundo grupo de 12 setores, que já era superavitário entre 1995 e 1998, quando o saldo comercial médio anual em conjunto foi de US$ 21,5 bilhões. Estes, ampliaram o resultado positivo do grupo para US$ 27 bilhões em 2002. O Boletim Setorial Funcex diz que neste segundo grupo estão os setores onde "o país é estruturalmente competitivo, com destaque para Agropecuária, Extrativa mineral, Abate de animais, Açúcar, Café e Celulose". Também estão nesse gurpo, Siderurgia, Óleos vegetais, Calçados, couros e peles, Madeira e mobiliário, Beneficiamento de produtos vegetais e Metalurgia não ferrosos."Segundo o mesmo raciocínio, é possível identificar-se os setores nos quais o país tem desvantagens comparativas, ou seja, em que nossa produtividade é relativamente baixa para os padrões internacionais", diz o Boletim, referindo-se a outros 13 setores que continuaram deficitários, mas tiveram redução do déficit médio anual de US$ 24,8 bilhões entre 1995 e 1998 para US$ 19 bilhões em 2002.Sobre estes, a Funcex observa que "no momento em que a situação macroeconômica voltar ao normal, seus déficits tendem a crescer novamente". O Boletim cita como casos nítidos disso as Máquinas e tratores, Produtos químicos, produtos derivados de petróleo, Material elétrico e Equipamentos eletrônicos. "Identificar que o país é deficitário em alguns setores não implica que devem ser tomadas medidas de política para eliminar tais déficits", diz o Boletim.

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