Selic a 11,25% ao ano terá efeito reduzido no crédito, diz Anefac

Pelas projeções da associação, alta da Selic fará os juros cobrados no comércio subirem de 94,27% para 95,15% ao ano

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

19 de janeiro de 2011 | 20h24

A alta de 0,50 ponto porcentual da taxa básica de juros da economia (Selic), anunciada nesta quarta-feira, 19, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), terá um efeito reduzido nas operações de crédito. A avaliação é da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), que projetou o impacto da elevação da Selic, de 10,75% para 11,25% ao ano, sobre as taxas cobradas de consumidores e empresas.

De acordo com a Anefac, o efeito será pequeno porque "existe um deslocamento muito grande entre a taxa Selic e as taxas cobradas ao consumidor que, na média da pessoa física, atingem 119,97% ao ano". A diferença entre a Selic e o que é efetivamente cobrado das empresas também é grande.

Pelas projeções da Anefac, a alta da Selic para 11,25% ao ano fará os juros cobrados no comércio subirem de 94,27% para 95,15% ao ano. A taxa média do cartão de crédito passará de 238,30% para 239,77% ao ano. No caso do cheque especial, a alta da Selic fará a taxa de juros subir de 140,05% para 141,12% ao ano.

As operações de crédito em bancos e financeiras também ficarão um pouco mais caras para o consumidor. A taxa de juros média do crédito direto ao consumidor (CDC) oferecido por bancos para a compra de automóveis subirá de 32,92% para 33,55% ao ano. Já o empréstimo pessoal realizado em bancos passará de 74,92% para 75,72% ao ano. Nas financeiras, os juros médios dos empréstimos pessoais passarão de 201,74% para 203,06% ao ano.

Na prática, as altas projetadas indicam pequenos aumentos, em reais, para o consumidor. De acordo com Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac, com a Selic em 11,25% ao ano, o consumidor que for financiar a compra de uma geladeira em 12 vezes (zero de entrada mais 12 prestações) pagará parcelas mensais de R$ 176,28 (juros de 5,73% ao mês ou 95,15% ao ano). Antes da mudança, com a Selic em 10,75% ao ano, as prestações eram de R$ 175,89 (5,69% ao mês ou 94,27% ao ano).

Empresas

Entre as pessoas jurídicas, o impacto do aumento da Selic também será pequeno. Nos cálculos da Anefac, a taxa média de juros em operações de capital de giro subirá de 43,91% para 44,58% ao ano. Os juros das linhas de desconto de duplicatas também passarão de 43,91% para 44,58% ao ano. No caso da conta garantida, a taxa subirá de 84,36% para 85,21% ao ano.

Em uma operação de capital de giro no valor de R$ 50 mil com prazo de 90 dias, exemplifica a Anefac, uma empresa pagará, após o aumento da Selic, R$ 4.827,53 de juros (taxa de 3,12% ao mês ou 44,58% ao ano). Com a Selic anterior, o encargo era de R$ 4.763,76 (3,08% ao mês ou 43,91% ao ano).

 
Tudo o que sabemos sobre:
SelicjuroAnefac

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.