Selic deve chegar a um dígito até 2006, diz Furlan

Otimista com relação à primeira redução na taxa básica de juros desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, declarou que a Selic poderá chegar a apenas um dígito até o final deste governo, em 2006. Para Furlan, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar 0,5 ponto porcentual na taxa de juros seguiu parâmetros "estritamente econômicos", como os indicadores de deflação para os próximos dois meses. Entretanto, reconheceu que, por mais técnicas que sejam as decisões, "há sempre algo de subjetividade"."Imagino uma taxa de juros de um dígito ainda neste governo", afirmou Furlan, logo depois da sua participação no seminário "Criando uma Parceria Bilateral para o Crescimento Econômico", promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. "Se a variação da inflação se mantiver entre 4% e 5% ao ano, o que é perfeitamente possível, será possível baixar a Selic para 5%. Por que o Brasil tem de ser tão diferente do México e da Rússia nessa área se é tão parecido com eles?", completou.Proveniente de Assunção, onde participou da Reunião de Cúpula do Mercosul, Furlan desembarcou na manhã de hoje em Washington para participar do seminário e do lançamento do Programa de Promoção Comercial do Brasil nos Estados Unidos. À noite, integra-se à comitiva de 15 ministros que acompanham o presidente Lula em seu encontro com o presidente americano, George W. Bush.Na avaliação do ministro, o apoio público dos mercados à decisão do Copom "abrirá o caminho para uma sequência positiva" na área de política monetária, fato que tenderá a provocar impacto direto nos indicadores de atividade econômica e do emprego do País. Entretanto, Furlan acentuou que ainda será necessário avaliar o comportamento dos inúmeros indicadores que influenciam as taxas de juros e a inflação até o final deste ano. De qualquer forma, em sua opinião, a decisão do Copom deve ser lida com otimismo. "Como o próprio presidente Lula já disse em seus discursos, abrem-se as cortinas para o crescimento", emendou Furlan.Nas perspectivas do ministro, o governo deverá obter a aprovação da PEC 40, que trata da reforma da Previdência, em setembro - o prazo com o qual a equipe econômica vem trabalhando. Alegando estar pouco acostumado ao andamento dos processos políticos, Furlan empregou no seu cálculo de prazo uma lógica da "loteria esportiva", como ele mesmo qualificou. "Se o governo levou quatro meses para apresentar a proposta de emenda constitucional, é razoável que o Congresso dispenda até quatro meses para aprová-la", raciocinou.Ontem, entretanto, o ministro assegurou que não faltam recursos para as vendas externas brasileiras. "O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem recursos de sobra. Não chega nem mesmo a usar a linha do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para as exportações, à qual teve acesso", arrematou.

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