Selic deve continuar em 16,5%

Hoje, o Comitê de Política Econômica do Banco Central (Copom) decidirá a taxa de juros básica - Selic. Os analistas de mercado apostam na permanência da taxa em 16,5% ao ano diante do cenário externo. Porém, com relação ao viés - sinalização de que o Copom pode alterar a Selic no período entre as reuniões - , a maioria dos analistas acredita que o Comitê deverá adotar a tendência neutra. Para economistas do mercado ouvidos pela Agência Estado, existem sinais positivos vindos da Argentina e da economia americana, mas que ainda precisam de mais algumas semanas para passarem de meros sinais a fatos concretos. "No cenário interno não há sequer um sinal de pressão inflacionária à vista. Mas o cenário externo ainda tem umas três ou quatro frentes sobre as quais ainda restam incertezas, apesar dos sinais recentes de melhora", avalia o economista-chefe do banco Interamerican Express, Marcelo Allain. ViésHá quem aposte no viés de baixa pelo fato de ser a penúltima reunião do ano e também pela melhora do cenário interno, principalmente sob a perspectiva da inflação. Porém, alguns analistas acreditam que mesmo a situação econômica estar oferecendo espaço para um futuro corte nos juros, o cenário externo ainda oferece riscos. A crise econômica argentina deu uma trégua, mas ainda não está totalmente resolvida. Outro foco de atenção para o mercado é o preço do petróleo no mercado internacional. O valor continua girando em torno de US$ 35 por barril, quando a expectativa era de que a commodity reduzisse pelo menos para um valor próximo de US$ 28. A conseqüência dessa crise do petróleo foi anunciada ontem pelo governo: o aumento dos combustíveis de 11% e um ajuste trimestral de acordo com a tendência das cotações internacionais. Dentre os que apostam em viés de baixa está o diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn. Segundo ele, a tendência da equipe do BC é de rever para baixo a projeção de inflação para este ano, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPC-A), mesmo com o reajuste dos combustíveis. Apesar disso, esta aposta não cresceu no mercado. Somente alguns acreditam que até o final de dezembro a Selic sairá de 16,5% para 16%.

Agencia Estado,

22 de novembro de 2000 | 11h36

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