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Selic estável e viés de baixa:como fica aplicação

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) pela manutenção da Selic, a taxa básica de juros da economia, em 18,5% ao ano não muda a recomendação dos analistas para as aplicações de recursos novos. Nem mesmo a colocação do viés de baixa, que significa que o Banco Central (BC) poderá reduzir a taxa antes da próxima reunião do Copom, em 16 e 17 de julho, deve induzir o investidor a tomar uma decisão com base nesse fato. Isso porque a possibilidade de corte de juros não indica que isso de fato aconteça. Segundo analistas, um corte da Selic nas próximas semanas depende de uma melhora das condições de mercado, principalmente de uma queda nas cotações do dólar (veja mais informações no link abaixo)."Há muitas incertezas no cenário e os investidores têm reagido com nervosismo. Diante disso, os investidores devem optar por aplicações conservadoras, como os fundos referenciados DI, cuja rentabilidade segue a taxa de juros pós-fixada. A aposta em um fundo com juros prefixado, apesar da tendência de queda das taxas sinalizada pela colocação do viés, é considerada arriscada", afirma o gestor de fundo de renda fixa da Unibanco Asset Management, Guilherme Menin Gaertner.Segundo ele, a principal preocupação do investidor nesse momento é avaliar a atuação do gestor escolhido. Isso porque, com a regra de marcação a mercado, os fundos DI vão refletir efetivamente o comportamento das taxas de juros. Se os recursos estiverem alocados em uma carteira com títulos de prazo mais longo, as oscilações na cota podem ser mais fortes. Já as carteiras formadas por títulos de vencimento mais próximo têm risco menor. "Cada vez mais o investidor deve estar ciente de que não existe a possibilidade de rendimento maior sem que por isso não se assuma um risco também maior. Portanto, avaliar o gestor nesse momento, significa verificar se ela está cumprido o que foi acertado em relação ao risco dos papéis que compõem a carteira", afirma a diretora técnica do Instituto Brasileiro de Certificação de Planejadores Financeiros (IBCPF), Márcia Dessen. A poupança e o Certificado de Depósito Bancário (CDB) também oferecem rendimento em juros, mas têm características diferentes dos fundos de investimento. A poupança, por exemplo, é considerada o investimento mais seguro. Porém, o investidor terá que aceitar uma rentabilidade menor, muitas vezes inferior aos índices de inflação.No caso do CDB, há risco de solidez da instituição que emitiu o papel, já que ela será a única responsável pelo pagamento da aplicação e de seus rendimentos. Além disso, o investidor terá que arcar com a cobrança de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) a cada vencimento do título. Vale destacar que o investimento também possui risco de oscilação, caso necessite resgatar os recursos antes do vencimento do título.Diversificação das aplicaçõesInvestidores que têm uma tolerância maior ao risco e não têm uma data definida para resgate podem diversificar suas aplicações. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), há boas oportunidades de ganho, mas apenas os recursos que não têm uma data definida para resgate devem ser direcionados para esse segmento.Outra opção de diversificação são os fundos cambiais, que pagam uma taxa de juros prefixada mais a variação do dólar. O dólar já subiu muito nos últimos dias e são grandes as chances de oscilações até a definição do cenário político. Porém, ninguém sabe em que patamar o dólar vai se estabilizar. Já para quem tem dívidas em dólar ou pretende viajar ao exterior, a formação de hedge (proteção) é imprescindível. Vale lembrar que a proteção oferecida pelos fundos cambiais não é total, devido à incidência de uma alíquota de 20% de Imposto de Renda sobre a valorização da cota em reais. Isso quer dizer que um quinto da alta do dólar é retida na forma de imposto, não chegando até o bolso do investidor.Não deixe de ver no link abaixo mais informações sobre aplicações e as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

19 de junho de 2002 | 18h03

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