Selic estável: veja como fica seu investimento

A manutenção da Selic, a taxa básica referencial de juros, em 19% ao ano não surpreendeu os analistas. A reação do mercado à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) será conhecida amanhã, já que o resultado só foi divulgado após o fechamento dos negócios. Mas, como a manutenção dos juros já era prevista, não se espera que tenha muito peso para os investidores. Segundo os analistas, as atuais taxas são elevadas, mas o momento é de muitas incertezas, o que impede uma redução das taxas neste momento, apesar da perspectiva de desaquecimento econômico. A maior dúvida dos analistas, atualmente, é a magnitude e a duração da reação norte-americana aos ataques terroristas. Para o diretor de renda fixa da BankBoston Asset Management, Flávio Bojikian, em um cenário mais positivo, os Estados Unidos preparam uma ação organizada e o conflito fica restrito a poucos países. "Neste caso, a recuperação dos mercados poderá ser mais rápida", avalia.Mas, em uma perspectiva mais pessimista, ou seja, um conflito com proporções mais amplas e longa duração, o cenário deve ser de forte retração econômica mundial e, para os mercados, perspectivas ainda mais negativas. "Para os países emergentes, como o Brasil, a situação fica ainda mais complicada", avalia.Fundos DI e prefixadosAssim, a estratégia mais recomendada é que o investidor aplique seus recursos em fundos corrigidos por juros, os chamados fundos referenciados DI, que acompanham as taxas de juros. "Nesta aplicação, o investidor garante a segurança. Diante de tantas incertezas, esta é a melhor opção", recomenda o diretor do BankBoston.Em sua maior parte, a carteira dos fundos referenciados DI é formada por títulos públicos que acompanham as taxas de juros negociadas no mercado interbancário. Ou seja, mesmo que as taxas subam ainda mais em função de um agravamento dos conflitos internacionais ou por uma piora da situação na Argentina, o investidor estará protegido.Em relação aos fundos de renda fixa prefixados - compostos, em grande parte, por títulos do governo que pagam uma taxa de juros prefixada -, o risco ainda é elevado segundo os analistas. Isso porque os juros podem voltar a subir, caso os índices de inflação voltem a ficar pressionados (veja mais informações no link abaixo).Ações apresentam riscoPara o diretor de operações com clientes da Lloyds TSB Asset Management, Gilberto Poso, boa parte do ajuste no preço das ações, em função das incertezas internacionais, já foi feito. "A Bolsa está nos níveis registrados após a crise da Rússia", lembra Poso.Segundo ele, quem tem recursos novos e não tem um data definida para resgate pode direcionar parte de seus recursos para a Bolsa, mas deve estar preparado para possíveis perdas, principalmente neste momento de forte instabilidade e incertezas. "Ainda há risco de se perder até 10% em um dia apenas", explica Poso. O diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, Júlio Ziegelmann, lembra que uma das principais recomendações para quem quiser formar uma poupança de longo prazo, com investimentos em Bolsa, é que não se tenha um prazo fixo para saque. Deve-se esperar o tempo que for necessário para que a aplicação acumule altas e ofereça uma rentabilidade diferenciada para então embolsar o ganho, mesmo que isso demore anos.Dólar e fundos cambiais só em casos especiaisA forte alta do dólar vem provocando ganhos expressivos nas carteiras dos fundos cambiais. Mesmo com a elevação da taxa Selic, não é possível prever se a escalada do dólar chegou ao fim, especialmente dadas as incertezas quanto à situação norte-americana e argentina. Assim, o risco de aplicações baseadas na moeda norte-americana é muito grande, e só deve ser assumido por investidores de perfil muito agressivo. Segundo o estrategista do Deutsche Bank, José Cunha, para quem tem dívidas em dólar ou está poupando para uma viagem ao exterior, comprar moeda norte-americana é uma opção viável, mesmo com as cotações em patamares muito elevados. Isso porque não há nenhuma certeza de que elas não possam subir ainda mais. Neste caso, a operação é de proteção contra eventuais altas futuras do dólar. Para quem vai colocar recursos em fundos cambiais com este objetivo, vale destacar que o ganho é diminuído pela incidência da alíquota de 20% sobre a valorização das cotas em reais.

Agencia Estado,

19 de setembro de 2001 | 20h40

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