Selic estável: veja como fica seu investimento

A manutenção da Selic, a taxa básica referencial de juros, em 19% ao ano não surpreendeu os analistas. A reação do mercado à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) será conhecida amanhã, já que o resultado só foi divulgado após o fechamento dos negócios. Mas, como a manutenção dos juros já era prevista, não se espera que tenha muito peso para os investidores.Segundo os analistas, as atuais taxas são elevadas, mas a inflação está muito pressionada, o que impede uma redução das taxas neste momento. A meta desse ano não será cumprida e, para 2002, as projeções já indicam a inflação muito próxima do limite máximo da meta se os juros permanecerem nos atuais patamaresO mercado está tranqüilo, com um otimismo cauteloso, atento às incertezas externas e à evolução da corrida presidencial no ano que vem. A maior preocupação dos analistas ainda é quanto à Argentina, que segundo o próprio ministro da Economia, Domingo Cavallo, está à beira do abismo. Se houver um colapso da economia, os efeitos deverão ser sentidos nos mercados brasileiros, mesmo que se siga uma recuperação vigorosa.Outra incerteza é quanto à desaceleração econômica mundial, que vem surpreendendo analistas do mundo inteiro. As perspectivas são de retomada do crescimento econômico norte-americano no segundo semestre de 2002. Até que isso se confirme, os investidores devem manter a cautela. Leia mais sobre a avaliação dos analistas sobre a conjuntura no link abaixo.Fundos DI e prefixadosPara o investidor mais cauteloso, o mais indicado é aplicar seus recursos em fundos corrigidos por juros, os chamados fundos referenciados DI, que acompanham as taxas de juros, o que se considera o mais seguro. As taxas caíram bastante nas últimas semanas, mas seguem mais elevadas que a Selic, o que não deixa de ser interessante. Em sua maior parte, a carteira dos fundos referenciados DI é formada por títulos públicos que acompanham as taxas de juros negociadas no mercado interbancário. Outra opção para o investidor que acredita que os juros devam cair no futuro são os fundos de renda fixa prefixados - compostos, em grande parte, por títulos do governo que pagam uma taxa de juros prefixada. A diferença na rentabilidade desses dois tipos de contrato não costuma ser muito grande.Ações apresentam riscoComo as bolsas refletem em grande parte a saúde econômica do país, esse é um investimento arriscado num momento de desaceleração e incertezas. De qualquer forma, o ambiente já é mais calmo e o mercado acionário se valorizou bastante no mês de outubro. Quem acredita na recuperação econômica e tem recursos novos e não tem um data definida para resgate pode direcionar parte de seus recursos para a Bolsa, mas sempre deve estar preparado para possíveis perdas.Uma das principais recomendações para quem quiser formar uma poupança de longo prazo, com investimentos em Bolsa, é que não se tenha um prazo fixo para saque. Deve-se esperar o tempo que for necessário para que a aplicação acumule altas e ofereça uma rentabilidade diferenciada para então embolsar o ganho, mesmo que isso demore anos.Dólar e fundos cambiais só em casos especiaisO dólar tem estado muito mais estável nas últimas semanas, depois das quedas em outubro. O colapso da economia argentina ou uma deterioração surpreendente da economia mundial podem elevar novamente as cotações. Outro fator de risco são as eleições presidenciais do ano que vem. Quanto mais próxima a oposição estiver do Palácio do Planalto, maior deve ser o nervosismo dos investidores.Para quem tem dívidas em dólar ou está poupando para uma viagem ao exterior, comprar moeda norte-americana é uma opção viável, pois não há nenhuma certeza de que elas não possam subir ainda mais. Neste caso, a operação é de proteção contra eventuais altas futuras do dólar. Para quem vai colocar recursos em fundos cambiais com este objetivo, vale destacar que o ganho é diminuído pela incidência da alíquota de 20% sobre a valorização das cotas em reais.

Agencia Estado,

21 de novembro de 2001 | 20h05

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