Selic estável: veja como fica seu investimento

A manutenção da Selic, a taxa básica referencial de juros, em 19% ao ano não surpreendeu os analistas. A reação do mercado à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) será conhecida amanhã, já que o resultado só foi divulgado após o fechamento dos negócios. Mas, como a manutenção dos juros já era amplamente prevista, não se espera que tenha muito peso nos negócios. Segundo os analistas, as atuais taxas são elevadas, mas justificam-se pela forte pressão inflacionária. No entanto, a contínua queda do dólar alivia os preços de produtos importados e os últimos índices de preços já mostram uma tendência de baixa, o que permite que os mais otimistas já esperem redução da Selic nos primeiros meses de 2002. Hoje foi anunciada redução nos preços dos combustíveis de 16,8% já em janeiro e a previsão de reajuste das tarifas de energia, que chegava a 30% foi reduzida para 19,9%. Ainda assim, o clima não é de euforia, devido à recessão mundial e, principalmente, à crise argentina, que chegou a um momento crítico. A inquietação da sociedade, traduzida em saques, greves e manifestações populares, motivou o governo a decretar estado de sítio à tarde. Organismos internacionais já falam abertamente em moratória, e o colapso financeiro é dado como certo e iminente. A Câmara derrubou o projeto de lei que limitava saques bancários, e, se o Senado confirmar a decisão, pode haver corrida aos bancos para saques e compra de dólares. Como há grandes vencimentos no dia 28 e o governo não tem como honrá-los, é improvável que o atual regime econômico não chegue a 2002. Os mercados festejam o descolamento brasileiro da crise argentina. Mas, se houver um colapso da economia, os efeitos deverão ser sentidos nos mercados, mesmo que se siga uma recuperação vigorosa. Fundos DI e prefixados Para o investidor mais cauteloso, o mais indicado é aplicar seus recursos em fundos corrigidos por juros, os chamados fundos referenciados DI, que acompanham as taxas de juros, o que se considera o mais seguro. As taxas caíram bastante nas últimas semanas, mas seguem mais elevadas que a Selic, o que não deixa de ser interessante. Em sua maior parte, a carteira dos fundos referenciados DI é formada por títulos públicos que acompanham as taxas de juros negociadas no mercado interbancário. Outra opção para o investidor que acredita que os juros devam cair no futuro são os fundos de renda fixa prefixados - compostos, em grande parte, por títulos do governo que pagam uma taxa de juros prefixada. A diferença na rentabilidade desses dois tipos de contrato não costuma ser muito grande. Ações apresentam risco Como as bolsas refletem em grande parte a saúde econômica do país, esse é um investimento arriscado num momento de incertezas. De qualquer forma, o ambiente já é mais calmo e o mercado acionário se valorizou bastante desde outubro. Quem acredita na recuperação econômica, tem recursos novos e não tem um data definida para resgate pode direcionar parte de seus recursos para a Bolsa, mas sempre deve estar preparado para possíveis perdas. Uma das principais recomendações para quem quiser formar uma poupança de longo prazo, com investimentos em Bolsa, é que não se tenha um prazo fixo para saque. Deve-se esperar o tempo que for necessário para que a aplicação acumule altas e ofereça uma rentabilidade diferenciada para então embolsar o ganho, mesmo que isso demore anos. Dólar e fundos cambiais só em casos especiais O dólar segue em queda desde outubro. Porém, o colapso da economia argentina ou uma deterioração surpreendente da economia mundial podem elevar novamente as cotações. Outro fator de risco são as eleições presidenciais do ano que vem, embora os investidores estejam mais tranqüilos com o desempenho de Roseana Sarney, considerada mais confiável do ponto de vista da manutenção do modelo econômico. De qualquer forma, quanto mais próxima a oposição estiver do Palácio do Planalto, maior deve ser o nervosismo dos investidores. Para quem tem dívidas em dólar ou está poupando para uma viagem ao exterior, comprar moeda norte-americana é uma opção viável, pois não há nenhuma certeza de que as cotações não subam ainda mais. Neste caso, a operação é de proteção contra eventuais altas futuras do dólar. Para quem vai colocar recursos em fundos cambiais com este objetivo, vale destacar que o ganho é diminuído pela incidência da alíquota de 20% sobre a valorização das cotas em reais.

Agencia Estado,

19 Dezembro 2001 | 21h31

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.