Selic estável: veja como fica seu investimento

A manutenção da Selic, a taxa básica referencial de juros, em 19% ao ano não surpreendeu os analistas. A reação do mercado à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) será conhecida amanhã, já que o resultado só foi divulgado após o fechamento dos negócios. Mas, como a manutenção dos juros já era amplamente prevista, não se espera que tenha muito peso nos negócios.Segundo analistas, as atuais taxas são elevadas, mas justificam-se pela pressão inflacionária. A meta de inflação de 3,5% para 2002 é apertada e os primeiros índices de inflação do ano ficaram muito acima do esperado. Ainda assim, a melhora dos indicadores econômicos, que deve se acentuar a partir do segundo semestre inspira certo otimismo. Fala-se em redução da Selic em fevereiro ou março. O cenário externo contribui para a cautela, por causa da recessão mundial e, principalmente, da crise argentina, que continua preocupante. Fundos DI e prefixadosPara o investidor mais cauteloso, o mais indicado é aplicar seus recursos em fundos corrigidos por juros, os chamados fundos referenciados DI, que acompanham as taxas de juros, o que se considera o mais seguro. As taxas caíram bastante nas últimas semanas, mas seguem mais elevadas que a Selic, o que não deixa de ser interessante. Em sua maior parte, a carteira dos fundos referenciados DI é formada por títulos públicos que acompanham as taxas de juros negociadas no mercado interbancário. Outra opção para o investidor que acredita que os juros devam cair no futuro são os fundos de renda fixa prefixados - compostos, em grande parte, por títulos do governo que pagam uma taxa de juros prefixada. De qualquer forma, a diferença na rentabilidade desses dois tipos de contrato não costuma ser muito grande e depende muito da composição da carteira dos fundos prefixados (veja mais informações no link abaixo).Ações começam a atrairComo as bolsas refletem em grande parte a saúde econômica do país, esse é um investimento arriscado num momento de incertezas. De qualquer forma, o ambiente já é mais calmo e a Bolsa mantém-se nos mesmos patamares do final de novembro, com potencial de valorização, segundo analistas. Mas é bom lembrar que a sucessão presidencial pode afetar os preços das ações crescentemente a partir de agora. Quem acredita na recuperação econômica, tem recursos novos e não tem um data definida para resgate pode direcionar parte de seus recursos para a Bolsa, mas sempre deve estar preparado para possíveis perdas.Uma das principais recomendações para quem quiser formar uma poupança de longo prazo com investimentos em Bolsa é que não se tenha um prazo fixo para saque. Deve-se esperar o tempo que for necessário para que a aplicação acumule altas e ofereça uma rentabilidade diferenciada para então embolsar o ganho, mesmo que isso demore anos.Dólar e fundos cambiais só em casos especiaisO dólar está estável desde a semana passada. Porém, um agravamento da crise argentina ou uma deterioração surpreendente da economia mundial podem elevar novamente as cotações. Outro fator de risco são as eleições presidenciais do ano que vem, embora os investidores estejam mais tranqüilos com o desempenho de Roseana Sarney e com o lançamento da candidatura de José Serra, considerados mais confiáveis do ponto de vista da manutenção do modelo econômico. De qualquer forma, quanto mais próxima a oposição estiver do Palácio do Planalto, maior deve ser o nervosismo dos investidores.Para quem tem dívidas em dólar ou está poupando para uma viagem ao exterior, comprar moeda norte-americana é uma opção viável, pois não há nenhuma certeza de que as cotações não subam ainda mais. Neste caso, a operação é de proteção contra eventuais altas futuras do dólar. Para quem vai colocar recursos em fundos cambiais com este objetivo, vale destacar que o ganho é diminuído pela incidência da alíquota de 20% sobre a valorização das cotas em reais.

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2002 | 20h06

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