Selic maior pode comprometer processo de crescimento, prevê CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro (PTB-PE), disse hoje que a decisão do Copom de aumentar pela quinta vez consecutiva a taxa Selic o deixou apreensivo, porque "é mais uma vez a reafirmação da linha de absoluto pragmatismo, de rigidez da política monetária e, evidentemente, terá um reflexo que poderá comprometer a continuidade do processo de crescimento".Segundo Monteiro, essa política de aperto monetário não produz, sobre o conjunto da economia, o efeito que o Banco Central supõe (o de controle da inflação), "porque os preços administrados não são sensíveis a esse tipo de aperto monetário". "Achamos que isso só penaliza os setores cujos preços são determinados pelo mercado", reclamou Monteiro.O presidente da CNI disse ainda que certamente a alta da taxa Selic vai comprometer o crescimento do País no primeiro trimestre do ano.Quanto à taxa anual de crescimento, ele argumenta que, como a decisão sobre do Copom se dá num em ciclo relativamente curto, tudo dependerá dos próximos 2 meses, especialmente."Mas é um mau sinal, um sinal negativo, os agentes econômicos e retraem", argumentou. "Seguramente terá efeito negativo no 1º trimestre do ano. Lamentavelmente, poderemos ter um crescimento aquém das últimas estimativas, de 3,5% a 4% para o ano.Indústria de SP e do RJO presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também criticou a decisão do Copom. Ele disse que o BC "perdeu excelente oportunidade de estimular a economia e renovar o ânimo de quem produz e trabalha no sentido de fazer de 2005 um ano bom para a economia". A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) considera que a alta da Selic "e a perspectiva de sua manutenção em patamares elevados por um longo período prejudicam a continuidade do crescimento econômico e inibem o ciclo de investimento que se inicia no País".

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