Selic mantida: analistas orientam investidor

Apesar da manutenção da taxa básica de juros - Selic - em 15,25%, já há espaço para uma agressividade maior nos investimentos. De acordo com os analistas, para conseguir um ganho mais expressivo, o investidor terá que aceitar um pouco mais de risco. Exemplo disso, segundo Eduardo Castro, diretor de renda fixa da ABN Amro Asset Management, é uma migração dos fundos de renda fixa pós-fixados (DI) para os prefixados. Porém, os analistas são unânimes em afirmar que a avaliação do prazo da aplicação ainda é fundamental para a escolha do melhor investimento. Nos períodos inferiores a seis meses, os ganhos de um fundo de renda fixa prefixados e de um fundo pós-fixado (DI) devem ficar bem próximos. Isso porque os papéis que compõem a carteira de um fundo prefixado costumam ter um prazo de 30 dias, o que os analistas chamam de duration, e já embutem parte da expectativa de queda da taxa de juros. Existem alguns fundos prefixados com papéis de prazo mais longo que podem apresentar uma rentabilidade maior e, na comparação com os fundos DI, oferecer um rendimento superior. Nesse caso, a aplicação é recomendada para investidores com perfil mais agressivo, já que o valor da cota pode sofrer oscilações e, em algumas situações, pode ter rendimento abaixo do CDI. Prazo acima de seis mesesDiante desse cenário, Gilberto Poso, diretor de operações com clientes da Lloyds Asset Management, recomenda os fundos DI como a melhor opção de investimento para quem pode ficar com o dinheiro aplicado por um período inferior a seis meses. Acima disso, o executivo destaca os fundos multiportifólio que, em uma mesma carteira, mesclam ativos de renda fixa e renda variável. Na opinião de Poso, também os investidores com perfil moderado já podem direcionar recursos para esse tipo de aplicação. Ele explica que as carteiras que oferecem até 20% em ações e o restante em renda fixa são boas opções de investimento. Isso porque, com a possibilidade de ganho de 7% em renda fixa em um período de seis meses, os 80% da carteira que estão direcionados para esse segmento devem acumular um ganho entre 5,5% a 6% nesse período. "A Bolsa teria que cair 28% em seis meses para anular todo o ganho conseguido com a renda fixa, o que é muito improvável", avalia o executivo. Períodos mais longosPara investidores que podem ficar com o dinheiro aplicado por um período mais longo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve ser a opção a apresentar ganhos mais expressivos. Reinaldo Lacerda, diretor de investimentos do BankBoston, avalia que o período necessário é de, pelo menos dois anos. "Assim será possível conseguir os ganhos esperados e recuperar possíveis perdas apresentadas no período", avalia.Fundos cambiaisO investimento em fundos cambiais nesse momento é muito arriscado para quem busca apenas rendimento. Na opinião de Lacerda, a cotação do dólar já está em um patamar bem elevado. Por isso, o espaço para ganhos fica reduzido. Segundo os analistas, a moeda norte-americana deve variar entre R$ 1,95 e R$ 2,00. Nos últimos dias, o dólar tem permanecido um pouco acima de R$ 1,98, reduzindo as possibilidades de ganho. Nesse momento, Lacerda recomenda essa aplicação apenas para quem tem dívidas em dólar ou está poupando para ma viagem ao exterior, pois, nesse caso, a operação é de hedge, ou seja, proteção contra a alta do dólar.

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