Selic mantida: veja como fica seu investimento

A manutenção da Selic, a taxa básica de juros da economia, em 18% ao ano não surpreendeu os analistas. Já a retirada do viés de baixa não era uma decisão esperada por boa parte deles. Para os investidores, a decisão do Comitê sinaliza que as incertezas em relação ao cenário externo e interno devem ser levadas em conta na hora de decidir sobre a aplicação de recursos novos. Para quem pretende reavaliar seus investimentos, a recomendação principal é não tomar atitudes precipitadas em um período de muitas incertezas e forte oscilação no preço dos ativos. Isso porque o risco de perder dinheiro com migração freqüente de recursos de um produto para outro é muito grande. O economista-chefe e estrategista do ABN Amro Asset Management, Hugo Penteado, lembra que todos os cenários traçados nas últimas semanas já embutiam a preocupação com as incertezas internas e externas. "Portanto, a decisão do Copom não deveria ser um divisor de águas, mas sim algo que confirmasse a estratégia de aplicação do investidor. Isso significa que um conservadorismo maior já deveria ter sido adotado", afirma.Dólar: momento de oscilação e incertezaInvestimentos em dólar nesse momento são considerados os mais arriscados. Ninguém sabe em que patamar o dólar vai se estabilizar e quanto da alta alcançada pode ser revertida quando as incertezas diminuírem. Penteado avalia que, nos atuais patamares, apenas quem tem dívidas em moeda norte-americana ou pretende viajar ao exterior deve comprar dólares. "Trata-se da formação de hedge, uma proteção, e isso é imprescindível", afirma. Vale lembrar que a proteção oferecida pelos fundos cambiais não é total, devido à incidência de uma alíquota de 20% de Imposto de Renda sobre a valorização da cota em reais. Isso quer dizer que um quinto da alta do dólar é retida na forma de imposto, não chegando até o bolso do investidor.Diversificação é recomendadaO estrategista do Citigroup Asset Management, Paulo Sérgio Tenani, afirma que, em qualquer situação, a recomendação principal é a diversificação dos investimentos. "O que deve se decidir é quanto alocar em cada ativo, mas a concentração dos recursos em um único produto nunca é uma boa estratégia", avalia o executivo.Uma das opções, segundo ele, é o investimento em ações. "Esse ativo deve ser usado para a parcela de recursos que não tem uma data definida para resgate. Ou seja, até que o investidor consiga o ganho esperado", afirma.Júlio Ziegelmann, da BankBoston Asset Management (BAM), concorda. Segundo ele, quem busca diversificação das aplicações deve reservar uma porcentagem dos recursos para o mercado acionário, independentemente do período em que se está. "Esta porcentagem é a parcela de recursos que não tem uma data definida para ser resgatada", afirma. A diversificação de investimentos em fundos de renda fixa prefixados também é uma opção indicada pelo estrategista do Citigroup Asset Management. "Os títulos prefixados de prazo mais longo estão com taxas muito elevadas. O investidor pode ganhar nesse produto, mas é preciso estar preparado para períodos de oscilação", destaca.Veja mais informações sobre a decisão do Copom no link abaixo.

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