finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Selic menor abre espaço para redução do spread, dizem indústria e comércio

Já a Força Sindical avaliou que a redução da taxa Selic para 9% ao ano foi tímida e o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade para fazer uma drástica redução na taxa de básica juros

Economia & Negócios com Agência Estado,

18 de abril de 2012 | 20h36

O corte da Selic para 9% ao ano deve ampliar as reivindicações do governo e de outros setores econômicos para que as instituições bancárias também reduzam o custo do crédito. A avaliação é da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que elogiou o corte de 0,75 ponto porcentual anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Assim como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a FecomercioSP também acredita que o juro menor poderá contribuir para as discussões em torno da redução do spread bancário. "Certamente, a taxa atual ainda é muito elevada em relação ao resto do mundo, mas ao menos o BC demonstra boa vontade ao trazê-la para patamares mais razoáveis", disse a entidade, em comunicado.

Segundo a FecomercioSP, a decisão de corte de juro também permitirá uma economia de mais de R$ 11 bilhões ao ano aos cofres públicos, com a redução do custo da dívida pública atrelada à Selic, o que pode permitir mais recursos para investimentos.

Com a desaceleração da inflação nos últimos meses, a entidade acredita que há espaço para o BC realizar novos cortes na Selic ao longo do ano.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que o recuo da Selic precisa chegar aos tomados de empréstimos. Segundo ele, isso seria possível, tendo em conta os ganhos de escala conquistados nos últimos anos pelos bancos com a ampliação da carteira de crédito. Ele lembrou que, em janeiro de 2004, o crédito total da economia era equivalente a 24,3% do PIB e, atualmente, esse nível está em 48,8%.

"O Banco Central vem baixando os juros há seis meses. Nesse contexto, os bancos devem baixar a taxa de juros para as pessoas físicas e jurídicas. É preciso estimular o crédito para sustentar o crescimento econômico e a geração de empregos no Brasil", afirmou Skaf.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também comemorou a decisão do Copom e disse que o Banco Central "acertou mais uma vez". "A combinação de inflação em queda persistente e a permanência de um quadro de estagnação na indústria abrem espaço para uma política monetária mais ativa", diz a nota divulgada pela CNI.

A Confederação avalia que não há motivos para preocupação sobre os efeitos da desvalorização do câmbio na inflação e destaca que "a retração nos preços dos produtos industriais e a desaceleração dos preços dos alimentos, assim como nos administrados, devem garantir uma inflação anual próxima ao centro da meta". Mas destaca que é necessário criar estímulos à expansão da oferta interna para enfrentar, em melhor situação, os produtos estrangeiros.

Sindicatos

Para a Força Sindical, a redução da taxa Selic para 9% ao ano foi "extremamente tímida". Em nota assinada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, a entidade afirma que foi uma "queda conta-gotas" e que "o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade para fazer uma drástica redução na taxa de básica juros, que poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no País".

A nota afirma que "os juros altos sangram o País e inviabilizam o desenvolvimento". A Força Sindical lembra que o mercado de trabalho tem diminuído o ímpeto de geração de empregos, ao mesmo tempo em que a indústria tem piorado seu desempenho nos últimos meses. "Mais uma vez o Banco Central frustra os anseios dos trabalhadores", critica a Força Sindical.

Já a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) acredita que é preciso seguir com os cortes da taxa Selic para que o custo dos empréstimos bancários recue também.

A entidade vê espaço para novas reduções do juro que levem a taxa a níveis internacionais e forcem os bancos a também reduzirem o spread e suas taxas de juros. "Embora a nova queda da Selic seja um passo positivo, o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros do mundo", disse o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, em nota.

A Contraf-CUT disse ainda que apoia o movimento de redução de taxas, iniciado pelos bancos públicos, para forçar o sistema todo a acompanhar os cortes. "A queda nos juros não pode ser apenas perfumaria. É preciso que os bancos reduzam de fato o spread e os juros", afirmou Cordeiro. Ele defendeu ainda a realização de uma Conferência Nacional do Sistema Financeiro que discuta com a sociedade o papel das instituições financeiras.

A entidade também destacou que a Selic precisa ser menor, pois o desembolso do Tesouro para pagar os juros da dívida pública supera o gasto com o maior programa de transferência de renda do governo e beneficia os mais ricos.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.