Selic menor não é suficiente para reduzir spread, diz Bradesco

Segundo presidente do conselho do banco, para reduzir taxas é preciso também que haja recuo no compulsório

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

29 de janeiro de 2009 | 15h15

O presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, disse nesta quinta-feira, 29, que a queda na taxa básica de juros, a Selic, não é suficiente para a redução dos spreads bancários (diferença entre a taxa de captação de recursos e a cobrada nos empréstimos), que só poderão cair a partir de um recuo no compulsório. "Reduzir a Selic não basta, é fundamental a queda no compulsório para reduzir o spread", afirmou. Ele não quis dizer de quanto deveria ser a redução por considerar que "não seria delicado".   Veja também: Entenda o que é o spread bancário Veja a evolução da taxa Selic no governo Lula Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    Lázaro Brandão, que concedeu entrevista após solenidade na Associação Comercial do Rio de Janeiro, disse que a discussão sobre spreads "deve ser vista de vários ângulos", já que enquanto taxas de empréstimos que não estão relacionados à atividade econômica e apresentam maior risco de inadimplência são mais elevadas, outras "são baixas", como as voltadas para o setor rural.   Apesar de dizer que a redução da Selic não é suficiente para reduzir o spread, Brandão elogiou a redução de um ponto porcentual na taxa determinada na semana passada pelo Conselho de Política Monetária (Copom). "Foi uma decisão prudente e muito apropriada. E certamente cria viés para novos cortes, acreditamos que há espaço". Indagado se os bancos vão acompanhar, nas taxas que praticam, a redução da Selic, afirmou que "certamente".   Ele avaliou ainda que a retomada do crédito no Brasil ocorrerá "de forma progressiva" e previu que, no Bradesco, haverá um crescimento de 15% do crédito em 2009, a metade dos 30% de expansão apurados em 2008. "O crédito não está totalmente inativo, o restabelecimento é progressivo", afirmou.   Spread menor   Na quarta-feira, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou um estudo que mostra um spread inferior ao das estatísticas do Banco Central (BC). O argumento da entidade está centrado no fato de que o BC só considera os chamados recursos livres em seus relatórios sobre crédito. Nas contas da Febraban também entraram os recursos direcionados, como o dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os depósitos na caderneta de poupança.   Segundo a Febraban, nas pessoas físicas, o cálculo do BC engloba 51,5% do saldo total das operações. Com a inclusão de outras modalidades (como leasing e crédito habitacional), esse porcentual sobe para 76,6%. Nas pessoas jurídicas, os dados do BC incluem 41,9% do total, ante 71,7% da Febraban.   O economista-chefe da entidade, Rubens Sardenberg, frisou que o objetivo dos bancos não é contestar a autoridade monetária. "Queremos ajudar o BC, complementar seu trabalho", disse. "É um relatório (do BC) muito bem feito, mas foi criado há cerca de 10 anos."   Terça-feira, o BC informou que o spread médio geral (que inclui pessoas físicas e jurídicas) atingiu 30,6 pontos porcentuais em dezembro, o maior nível em cinco anos. Pela metodologia da Febraban, esse número seria de 22,5 pontos porcentuais - uma diferença de pouco mais de 26%.

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