Selic: Mercados corrigem cotações

Os mercados hoje, conforme já era esperado, oscilaram, corrigindo os ativos em função da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica referencial de juro, a Selic, em 16,5% ao ano. Inicialmente, as expectativas dos investidores apontavam para uma redução da taxa. Mas, as dificuldades da Argentina, os altos índices de inflação dos últimos dois meses e o repique nos preços do petróleo no mercado internacional a partir de quinta-feira tornaram os analistas mais cautelosos. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam pagando juros de 16,960% ao ano, frente a 17,030% ao ano ontem. E o dólar fechou em R$ 1,8210, com queda de 0,11%.Na Bolsa, porém, muitos investidores erraram nas apostas, tendo de corrigir suas aplicações com base em uma queda na Selic menos acelerada que o esperado. Assim, a Bovespa - Bolsa de Valores de São Paulo - fechou em queda de 1,31%. Taxas de juros mais altas que o esperado prejudicam as previsões de compra por financiamentos, e tornam os empréstimos das empresas mais caros do que o previsto. A rentabilidade das empresas fica menor e, em conseqüência, o valor das ações cai. O Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,34%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 1,05%. Desde que se firmaram as expectativas de estabilidade nos juros nos EUA, há umas duas semanas, confirmadas na reunião do Fed terça-feira, as bolsas norte-americanas têm apresentado altas sucessivas.O momento requer uma certa cautelaO governo vem descartando a possibilidade de interromper a política de queda de juros inaugurada na reunião de junho deste ano. Mas justifica-se com o argumento de ainda não ter promovido uma redução maior da Selic agora por cautela. A equipe econômica ainda mantém todas as metas e políticas estabelecidas e não vê riscos de que os aumentos da inflação em julho e agosto prevaleçam. Segundo o ministro Pedro Malan, a inflação de 2000 deve fechar, como previsto em 6%.De qualquer modo, é improvável que os recentes aumentos no petróleo continuem ou, segundo as autoridades, que se sustentem. O tema será discutido mais abertamente na reunião dos ministros de petróleo dos países-membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) em Viena, no próximo dia 10. A Argentina também tem dado sinais de recuperação, com alta nos papéis da dívida externa nos mercados internacionais e sinais de tranqüilidade nas negociações com o FMI.Na quarta-feira da semana que vem, deve recomeçar o julgamento das correções das contas de FGTS pelos expurgos realizados na implantação dos Planos Bresser, Verão, Collor I e II. Ainda não se pode avaliar claramente qual será o impacto da decisão nos mercados. A derrota parcial já sofrida pelo governo, considerando-se os votos de sete ministros, se estendida a todos os trabalhadores poderá ter um impacto de até R$ 38 bilhões nas contas do governo.

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