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Selic não leva à redução dos juros ao consumidor

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter pelo terceiro mês consecutivo a Selic, taxa básica referencial de juros da economia, em 18,5% ao mês. A novidade foi a colocação do viés de baixa, o que significa que o presidente do Banco Central (BC) poderá reduzir a taxa antes da próxima reunião do Comitê, em 16 e 17 de julho. Para o consumidor, tal decisão não provocará alteração nas taxas de juros pagas aos bancos, financeiras e lojas com vendas a prazo. Mesmo que houvesse redução da Selic em 0,25% ? aposta de uma minoria devido aos dados de inflação ?, não haveria alteração nos juros cobrados na ponta do consumidor, segundo especialistas ouvidos pela Agência Estado. Eles afirmam que, neste momento, há outros fatores de maior peso que influenciam a taxa de juros ao consumidor. Porém, uma redução da taxa de juros, mesmo que pequena, poderia provocar uma melhora na economia. Aliada a outros fatores positivos, poderia trazer uma expectativa favorável ao comércio.De fato, nos últimos dias, algumas medidas do Banco Central (BC) foram contrárias a esse cenário favorável para o comércio. Segundo o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, exemplo disso foi o aumento da alíquota do compulsório sobre depósitos a prazo de 10% para 15%. ?Essa medida reduziu liquidez, o que causa contração do mercado. A tendência seria um aumento na taxa de juros, mas é preciso aguardar os próximos dias para saber como o mercado se comporta.? Esta semana, as taxas de juros para financiamento de veículo aumentaram de uma taxa média de 2,20% ao mês para 2,40% ao mês em todos os prazos, conforme dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef). A explicação para essa alta é a elevação nas taxas de juros futuros, o que encarece a captação de recursos (Veja mais informações sobre o assunto no link abaixo).O diretor executivo da Anef, Romélio Brasil Ribeiro, defende que uma redução da Selic serviria para o governo indicar que as variáveis estão dentro da política econômica e trazer racionalidade ao mercado. ?A medida do compulsório, por exemplo, não se destinou ao crediário, mas ao mercado de câmbio. Ou seja, não visou a tirar a liquidez do mercado, apenas o excesso dela, que estava provocando uma demanda maior por dólares. Porém, na prática, para o crediário, a medida tem um efeito diferente?, lamenta.Para o presidente da Associação Nacional de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon, a redução dos juros ao consumidor está relacionada a fatores estruturais da economia do País. Segundo ele, a diminuição da dívida interna por meio de reformas fiscal e previdenciária reduziria a necessidade de financiamento do País. Nesse caso, sem uma participação tão grande do governo tomando recursos no mercado, os juros teriam que cair e o consumidor pagaria menos nas operações de crédito. Ele também defende que ?uma redução pequena da Selic seria um sinal positivo para os mercados. Porém, há incertezas no cenário político, risco Brasil em alta, elevação do dólar.?Outros razões apontadas por Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac) que dificultam a redução de juros ao consumidor são a inadimplência em patamares elevados, os altos índices de desemprego e os baixos níveis de renda. São fatores de risco para quem empresta dinheiro. Portanto, impedem a redução das taxas.

Agencia Estado,

19 de junho de 2002 | 17h02

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