Selic pode cair abaixo de 7% até dezembro, diz ex-diretor do BC

Luiz Fernando Figueiredo prevê que a crise na Europa ainda deve piorar e projeta uma expansão entre 1,7% e 1,8% para o Brasil em 2012

Ricardo Leopoldo, de Agência Estado,

25 de junho de 2012 | 18h31

SÃO PAULO - O ex-diretor do Banco Central e atual sócio da Mauá Sekular Investimentos Luiz Fernando Figueiredo afirmou em entrevista exclusiva à Agência Estado que a crise na Europa ainda deve piorar nas próximas semanas, o que trará mais efeitos negativos para a economia do Brasil. "O PIB continuará abaixo do seu potencial até o quarto trimestre, pelo menos", disse. "Nesse contexto, no qual a economia continuará no decorrer do ano, pois acho que o PIB vai crescer entre 1,7% e 1,8% em 2012, e o BC continuará a agir na redução da Selic, que poderá ficar ao redor de 7% ou até pouco abaixo disso até dezembro", destacou.

Segundo Figueiredo, devido à lentidão da tomada de decisões políticas das autoridades da zona do euro, ele acredita que a crise vai piorar tanto no curto prazo que os dirigentes dos principais países da região só vão tomar medidas vigorosas para começar a corrigir seus problemas quando virem que a união monetária estará bem perto de ruir.

"Até lá, a corrida a bancos na Espanha e na Itália ficará muito forte no curto prazo e vai migrar para a Alemanha", disse. "Só aí que autoridades da Europa vão despertar que a união monetária vai ruir e vão agir para salvar o Euro a qualquer custo. Por isso acredito que o Euro vai se salvar", disse.

Na avaliação do ex-diretor do Banco Central, a única salvação do Euro passa por duas ações politicamente difíceis de serem adotadas, mas que serão inevitáveis: a garantia de depósitos de correntistas para toda a zona do euro e união fiscal. Para Luiz Fernando Figueiredo, enquanto as autoridades da zona do euro não se entenderem e adotarem "esses dois remédios" o mundo continuará sofrendo muito, o que vai requer ações extraordinárias de coordenação de política monetária dos principais BCs do planeta, mesmo que não sejam as tradicionais, como as relacionadas a afrouxamento quantitativo, para mitigar os impactos do prolongamento da crise.

"Neste ano, o Fed deve implementar o QE3, enquanto o Banco Central Europeu deve anunciar uma terceira rodada de operações de empréstimos de longo prazo (LTRO, na sigla em inglês) e até swap de moedas entre países da Europa", afirmou.

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