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‘Selic precisa subir de 1,5 a 2 pontos em um ano’, diz ex-diretor do BC

Para economista, não adianta reduzir muito a taxa de juros porque não se consegue estimular mais a economia

Entrevista com

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2013 | 02h16

A taxa básica de juros, Selic (hoje em 7,25%), precisa subir de 1,5 ponto a 2 pontos porcentuais ao longo de um ano, na visão do ex-diretor do Banco Central (BC) Sérgio Werlang.

Para o economista, o quanto antes a alta começar, melhor. Werlang trabalhou na implementação do sistema de metas de inflação, na gestão de Armínio Fraga no BC, e acaba de assumir o cargo de assessor da presidência da Fundação Getúlio Vargas, após deixar o Itaú, no fim do ano passado.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

O contexto econômico exige juros mais altos?

A demografia brasileira está fazendo a mão de obra crescer menos do que estávamos acostumados a ver. Estamos em pleno emprego porque a mão de obra cresce pouco. Ainda é possível um setor ou outro ter um crescimento maior com a mão de obra mais restrita, mas, para a economia como um todo, estamos com essa restrição. Então, não adianta baixar muito os juros porque não se consegue estimular mais a economia. No fundo, já batemos numa outra restrição, que não é de demanda. Hoje, estamos com restrição da oferta.

É hora de elevar os juros então? É muito provável que, a médio prazo, o BC tenha de aumentar a taxa de juros. E isso não vai ter grandes impactos na taxa de emprego. Vai apenas arrefecer, diminuir a pressão de demanda. As políticas para fomentar o crescimento são essencialmente políticas de aumento de produtividade, que vão dar estabilidade para os investimentos no médio e longo prazos. A alta dos juros visa à diminuição da demanda. Não quer dizer que o PIB vai cair.

De quanto tem de ser o aumento na Selic?

Pode ser que seja necessário, ao longo de um ano, uma subida de 1,5 ponto, no máximo 2 pontos porcentuais. É um aumento gradual.

Com crescimento tão fraco, um aumento da Selic não pode estagnar a economia?

Poderia, se tivéssemos excesso de oferta de mão de obra. Não é o caso. Hoje, estamos com excesso de demanda de mão de obra. Não tem gente suficiente para trabalhar.

A alta dos juros deveria ser para já?

Na minha opinião, os números de inflação indicam que, quanto antes começar, melhor.

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