Selic reduzida: como fica a aplicação

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) pelo corte na Selic, a taxa básica de juros da economia, de 18,5% para 18% ao ano não muda a recomendação dos analistas para as aplicações de recursos novos. Quem aplicou na renda fixa e no CDB apostando numa queda da taxa saiu ganhando, e as aplicações em DI passarão a refletir a nova taxa. Mas o investidor não deve se precipitar e mudar de aplicação agora, pois o momento é de muita instabilidade.Há muitas incertezas no cenário e os investidores têm reagido com nervosismo. Os analistas divergem sobre a reação do mercado ao corte na Selic. Mas se o investidor acredita numa melhora do cenário, especialmente, numa continuidade das quedas nas taxas de juros, a renda fixa é uma boa opção sem muito risco. Mas quem prefere não arriscar pode optar por aplicações conservadoras, como os fundos referenciados DI, cuja rentabilidade segue a taxa de juros pós-fixada, mesmo porque o momento é de muito nervosismo. E a oscilação dos mercados depende de fatores políticos (sucessão presidencial) e da crise de confiança no mercado acionário norte-americano, elementos de difícil previsibilidade.Segundo analistas ouvidos pela Agência Estado, a principal preocupação do investidor nesse momento deve ser a avaliação da atuação do gestor escolhido. Isso porque, com a regra de marcação a mercado, os fundos DI vão refletir efetivamente o comportamento das taxas de juros. Se os recursos estiverem alocados em uma carteira com títulos de prazo mais longo, as oscilações na cota podem ser mais fortes. Já as carteiras formadas por títulos de vencimento mais próximo têm risco menor. "Cada vez mais o investidor deve estar ciente de que não existe a possibilidade de rendimento maior sem que por isso não se assuma um risco também maior. Portanto, avaliar o gestor nesse momento, significa verificar se ela está cumprido o que foi acertado em relação ao risco dos papéis que compõem a carteira", afirma a diretora técnica do Instituto Brasileiro de Certificação de Planejadores Financeiros (IBCPF), Márcia Dessen. A poupança e o Certificado de Depósito Bancário (CDB) também oferecem rendimento em juros, mas têm características diferentes dos fundos de investimento. A poupança, por exemplo, é considerada o investimento mais seguro. Porém, o investidor terá que aceitar uma rentabilidade menor, algumas vezes inferior aos índices de inflação.No caso do CDB, há risco de solidez da instituição que emitiu o papel, já que ela será a única responsável pelo pagamento da aplicação e de seus rendimentos. Além disso, o investidor terá que arcar com a cobrança de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) a cada vencimento do título. Vale destacar que o investimento também possui risco de oscilação, caso necessite resgatar os recursos antes do vencimento do título.Diversificação das aplicaçõesInvestidores que têm uma tolerância maior ao risco, ou seja, às inúmeras oscilações, e não têm uma data definida para resgate podem diversificar suas aplicações. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), há boas oportunidades de ganho, mas apenas os recursos que não têm uma data definida para resgate podem ser direcionados para esse segmento. Mas vale ressaltar que esse é um investimento de muito risco, pois a bolsa tende a oscilar muito, especialmente em momentos de instabilidade.Outra opção de diversificação são os fundos cambiais, que pagam uma taxa de juros prefixada mais a variação do dólar. O dólar já subiu muito nas últimas semanas e são grandes as chances de oscilações até a definição do cenário político. Mas as chances de ganho a partir de agora são limitadas, pois o governo está intervindo no mercado, e a moeda norte-americana está estabilizada em um patamar alto, acima de R$ 2,80. Conforme suba mais, cresce a chance de que o governo intensifique as intervenções para controlar as cotações.Já para quem tem dívidas em dólar ou pretende viajar ao exterior, a formação de hedge (proteção) é imprescindível. Mas vale lembrar que a proteção oferecida pelos fundos cambiais não é total, devido à incidência de uma alíquota de 20% de Imposto de Renda sobre a valorização da cota em reais. Isso quer dizer que um quinto da alta do dólar é retida na forma de imposto, não chegando até o bolso do investidor.Não deixe de ver no link abaixo mais informações sobre aplicações e as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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