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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Selic tem maior corte desde 2003 e cai para 11,25%

Decisão dos membros do Comitê foi unânime e não inclui viés - mudança de juro antes da próxima reunião

Da Redação,

11 de março de 2009 | 18h52

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 1,5 ponto porcentual. Com isso, o juro básico foi para 11,25% ao ano, o menor patamar da história, ainda que já tenha sido verificado em setembro de 2007. É primeira queda dessa magnitude desde 19 de novembro de 2003, quando a Selic caiu de 19% para 17,5% ao ano.      Veja também: Taxa básica de juros da economia brasileira ainda é a mais alta do mundo em termos reais   A decisão dos membros do Comitê foi unânime e não inclui viés - mudança de juro antes da próxima reunião do Copom. De acordo com comunicado divulgado ao final da reunião, o Copom "acompanhará as perspectivas para a inflação até a próxima reunião em abril". A ata desta reunião será divulgada no dia 19 de março. A próxima reunião do Copom será em 28 e 29 de abril. "Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu neste momento reduzir a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés, por unanimidade. O Comitê acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até a sua próxima reunião, levando em conta a magnitude e a rapidez do ajuste da taxa básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", diz o comunicado divulgado após a reunião. Perspectivas O mercado já considerava um corte de 1,5 ponto como projeção conservadora. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre do ano passado, que caiu 3,6%, mais do que o esperado, aumentou a expectativa de uma redução significativa dos juros. Nesta quarta, favoreceu este movimento a deflação de 0,45% do Índice Geral dos Preços de Mercado (IGP-M) na primeira prévia do mês, pior do que a mediana das previsões dos analistas (-0,13%) e inversa ao resultado positivo de 0,42% de igual prévia em fevereiro. O índice endossou a percepção de que a inflação não representa empecilho para o afrouxamento da política monetária, embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, de 0,55%, tenha acelerado em relação a janeiro (0,48%), mas não surpreendeu porque veio em linha com a mediana da pesquisa AE Projeções. Antes da decisão do Copom, de um grupo de 60 instituições consultadas, 13 mantiveram-se com a estimativa de corte de 1 ponto porcentual e algumas (três casas) arriscaram aposta mais agressiva, de 2 ponto porcentual. A maioria das previsões, no entanto, estava concentrada na redução de 1,5 ponto porcentual. Tem ainda três instituições que cederam aos fatos e elevaram as apostas, mas com menos intensidade, para 1,25 ponto. A reação ao Copom deve dominar o mercado amanhã e pode ser potencializada pelo anúncio do Sinalizador da Produção Industrial (SPI) de São Paulo, da FGV, referente a fevereiro. Ainda, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga, às 15 horas, o resultado de uma Consulta Empresarial sobre os efeitos da crise econômica sobre a indústria brasileira. Conheça os integrantes do Copom Mário Mesquita (diretor de Política Econômica) - É o expoente da ala mais ortodoxa do Copom, que não admite correr risco de falha no cumprimento da meta de inflação, ainda que isso implique em sacrifícios maiores de atividade econômica. É dos que se sentem bastante desconfortáveis quando a inflação está mais distante do centro da meta, ainda que dentro da banda de tolerância. Mário Torós (diretor de Política Monetária) - Também compõe o grupo dos ortodoxos, embora tenha perfil menos formulador e mais operacional do que Mesquita. Tem sido o braço armado da diretoria do BC no esforço de estabilização do mercado de câmbio. Alexandre Tombini (diretor de Normas) - É o expoente do grupo que, sem abandonar a atenção com a inflação, conserva uma preocupação com a busca do maior crescimento possível. Foi o primeiro integrante da diretoria do BC a, nos bastidores do governo, demonstrar preocupação com a perda de vitalidade da economia e a enxergar que os riscos inflacionários futuros, diante dessa situação, diminuíam, abrindo espaço para queda nos juros. É o favorito da área técnica do ministério da Fazenda para suceder o presidente do BC, Henrique Meirelles, quando este deixar o banco para ser candidato a um cargo público. Gustavo do Vale (diretor de Liquidações e Desestatizações) - Faz parte do grupo dos "técnicos", aqueles que estão menos envolvidos com a formulação macroeconômica e tendem a se posicionar mais conforme o andamento das discussões nos encontros do Copom.  Anthero Meirelles (Administração), Maria Celina Arraes (Internacional) e Alvir Hoffman (Fiscalização) completam o time dos diretores técnicos, cuja opinião é definida durante as discussões na reunião da diretoria colegiada.  Henrique Meirelles - O presidente do BC é o braço político do Copom. É quem faz a mediação entre os pólos do colegiado e também faz a ponte do BC com outras áreas do governo, tentando preservar a autonomia do BC e mostrar que a autoridade monetária está integrada no esforço pelo crescimento, sem colocar em risco a inflação. Hoje, cada vez mais suas ações devem ser vistas como misto de visão técnica com cálculo político. Por ser o comandante do BC tem grande poder de persuasão no colegiado.

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