Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba
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Renault confirma demissão de 747 e trabalhadores decretam estado de greve

Montadora justificou as dispensas no paraná pela necessidade de minimizar os impactos da pandemia e de viabilizar o futuro do negócio; empregados já prometem parar por tempo indeterminado

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2020 | 17h36
Atualizado 22 de julho de 2020 | 00h50

A Renault confirmou nesta terça-feira, 22, a demissão de 747 trabalhadores da fábrica de São José dos Pinhais (PR) e a suspensão do terceiro turno de trabalho. No início da noite, os funcionários realizaram assembleia nos portões da empresa e decretaram estado de greve. A intenção é tentar reverter os cortes e, se isso não ocorrer, a paralisação será por tempo indeterminado. 

A empresa também decidiu dar licença remunerada aos trabalhadores nesta quarta-feira, alegando necessidade de readequar a fábrica para o trabalho em dois turnos. Assim, eventuais negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e região só ocorreriam amanhã. 

Na sexta-feira, a Renault propôs à entidade a abertura de Programa de Demissão Voluntária (PDV) para 800 pessoas, com alguns benefícios, mas os funcionários recusaram por achar que o plano não era atrativo.

A empresa alega que a redução do quadro de funcionários é necessária para minimizar impactos da crise provocada pela pandemia do coronavírus e, ao mesmo tempo, viabilizar o futuro do negócio. Também afirma que a medida “está alinhada com o projeto de redução de custos anunciado pelo Grupo Renault em maio, válido para todo o mundo.”

O presidente do sindicato, Sérgio Butka, diz que a entidade tinha dado prazo até esta quarta -feira para discutir proposta melhor para o PDV, mas a Renault convocou reunião ontem e comunicou os cortes. “Queremos voltar a negociar e, se a empresa não aceitar, na quinta-feira poderemos decretar greve por tempo indeterminado”, afirma.

Segundo Butka, o sindicato já solicitou reunião com o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, para discutir o fato de a montadora promover demissões mesmo que a lei do Estado que concedeu incentivos à fábrica prevê a manutenção de empregos.

Salário menor

Antes da proposta do PDV, a Renault havia sugerido a manutenção dos 7,3 mil empregos do complexo, mas com redução por prazo indeterminado de jornada e salários em 25%, oferta que também não foi aceita pelo sindicato.

Nas demissões comunicadas ontem aos funcionários, a empresa afirma que, além das verbas rescisórias legais vai estender aos demitidos o pagamento do vale mercado até outubro e o plano de saúde até dezembro. Também oferecerá programa de orientação para a recolocação no mercado de trabalho.

A proposta do PDV oferecia de 3,5 a seis salários extras dependendo do tempo de contrato (incluindo dois meses de benefício da MP 936 que também será pago nas demissões), plano médico por um ano, vale mercado até dezembro e a primeira parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). 

O complexo no Paraná produz os modelos Sandero Stepway, Logan, Kwid, Duster, Oroch, Master e Captur e tem unidades de motores e injeção de alumínio. No primeiro semestre, a Renault vendeu 60 mil veículos, queda de 47% ante igual período de 2019. O mercado total de automóveis e comerciais leves teve resultado 39% menor na mesma comparação.

Excesso

Em junho, a Nissan – parceira da Renault na aliança global Renault/Nissan – demitiu 400 pessoas da fábrica de Porto Real (RJ). No complexo da Ford em Camaçari (BA), 1,6 mil funcionários terão os contratos suspensos por três meses a partir de 1.º de agosto. Na Volvo de Curitiba (PR), cerca de 2,7 mil trabalhadores aceitaram proposta de PDV similar à apresentada pela Renault.

As montadoras afirmam estar com excesso de pessoal e novos cortes devem ocorrer após o fim do programa instituído pela MP 936, que permite redução de jornada e salários e suspensão de contratos de trabalho.

O setor automotivo projeta queda de 40% nas vendas deste ano e de 45% na produção de veículos na comparação com 2019. Devem sair das linhas de montagem 1,63 milhão de veículos, ante 3 milhões previstos antes da pandemia.

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