Sem acordo, dívida do país pode sofrer rebaixamento

País corre o perigo de ser rebaixado por agências de risco e investidores vão cobrar mais para [br]comprar os títulos

, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2011 | 00h00

WASHINGTON

Se não houver um acordo entre o presidente Barack Obama e os republicanos, a classificação de risco da dívida americana cairá e o mercado passará a exigir remuneração maior para comprar títulos do Tesouro. A taxa de juros básica, portanto, aumentará e o custo de empréstimos para consumo e investimentos se tornará mais caro.

A atividade econômica, hoje em ritmo lento, também sofrerá com o calote e tenderá a cair. O Federal Reserve (Fed, banco central americano) pode tentar conter essa tendência, com a injeção de mais dólares no mercado, se a taxa de juros mais alta for insuficiente para repatriar capitais em mercados emergentes.

Sem um acordo firmado, fica mais presente o risco de um calote dos Estados Unidos. A data limite para que democratas e republicanos cheguem a um acordo é 2 de agosto.

A proposta que fracassou entre Obama e o presidente da Câmara, John Boehner, previa cortes de US$ 1 trilhão em despesas correntes e de defesa, US$ 650 bilhões nos programas sociais e US$ 1 trilhão com a retirada de soldados do Afeganistão e do Iraque. Além disso, US$ 800 bilhões seriam conquistados com o aumento da arrecadação de impostos. A negociação entre os dois fracassou porque Obama quis elevar essa receita adicional para US$ 1,2 trilhão.

Há uma outra proposta sobre a mesa que é liderada por seis senadores democratas e republicanos. Eles propõem cortar a dívida em US$ 3,7 trilhões em dez anos. Haveria um corte de US$ 111 bilhões nas despesas públicas em 2012 e o contingenciamento de US$ 2,8 bilhões em gastos nos anos seguintes. Também envolveria o fim das reduções de impostos para os americanos mais ricos e grandes empresas.

Ao todo, o Departamento do Tesouro tem de efetuar 80 milhões de pagamentos, equivalentes a US$ 306 bilhões, de acordo com o Pew Center on the States. Nesse valor estão, entre outros, US$ 29 bilhões em juros da dívida, US$ 14 bilhões em salários de servidores públicos e US$ 3,9 bilhões em restituição de impostos.

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