Sem acordo, EUA entram na 3ª semana ‘paralisados’

Tesouro estima que alcançará teto do atual limite de endividamento na quinta-feira

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE

13 de outubro de 2013 | 22h59

A quatro dias da data em que os Estados Unidos correm o risco de entrar em default, democratas e republicanos ainda não chegaram a um acordo que permita a elevação do teto de endividamento do país e a reabertura do governo, que entra em sua terceira semana de paralisação.

As conversas entre a Casa Branca e os líderes da oposição na Câmara dos Representantes foram interrompidas na sexta-feira, depois que o presidente Barack Obama rejeitou a proposta de elevação do limite da dívida por apenas seis semanas.

A expectativa de um acordo passou a se concentrar no Senado, onde o líder democrata, Harry Reid, e o republicano, Mitch McConnell, estão conduzindo as conversas. "Eu estou confiante de que os republicanos vão permitir a reabertura do governo e a extensão da capacidade desse país de pagar suas contas", declarou ontem Reid, que é presidente do Senado.

Governo e oposição se enfrentam em duas questões: a aprovação do Orçamento, para autorizar a realização de despesas pela máquina pública, e a elevação do teto de endividamento. A oposição tenta usar a aprovação de ambas as legislações para arrancar concessões da Casa Branca.

O objetivo inicial era retirar todo o financiamento da reforma do sistema de saúde aprovada em 2010. Principal bandeira da gestão Obama, o programa entrou em uma fase crucial no dia 1º de outubro, quando começaram a funcionar as bolsas online para venda de planos de saúde. O governo espera que cerca de 30 milhões de pessoas sem nenhum seguro passem a ter cobertura.

Mas o ataque ao Obamacare perdeu proeminência nas reivindicações dos republicanos, que passaram a se concentrar na exigência de um projeto de longo prazo para redução do déficit e da dívida pública.

O Tesouro estima que alcançará o teto do atual limite de endividamento - US$ 16,7 trilhões - na quinta-feira, quando deverá ter US$ 30 bilhões em caixa. Sem um acordo no Congresso, o governo perderá ao longo dos dias subsequentes a capacidade de honrar seus compromissos.

Mercado. O impasse prolongado deverá ter impacto no humor dos investidores e no comportamento das Bolsas de Valores hoje nos Estados Unidos e no mundo. No fim da semana passada, o índice Dow Jones registrou a maior alta para um período de três dias desde dezembro de 2011, na expectativa de que democratas e republicanos alcançariam um acordo que afastasse a ameaça do default e permitisse a reabertura da administração federal.

O tamanho e a extensão dos cortes de gastos é um dos principais itens a separar governo e oposição. Enquanto republicanos querem reduzir ainda mais o patamar de despesas, os democratas defendem o cancelamento de parte dos cortes automáticos e indiscriminados que entraram em vigor neste ano - o chamado sequestro.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a redução de gastos foi excessivamente rápida e mal planejada e deve subtrair entre 1,50 a 1,75 ponto porcentual do crescimento americano em 2013.

Obama tem repetido que o aperto fiscal é um dos maiores já realizados no país e levou à mais rápida redução do déficit público em seis décadas.

Duas tentativas de superar o impasse foram derrotadas no Senado no sábado. Projeto dos democratas que ampliava o limite de endividamento até o fim de 2014 não conseguiu os 60 votos necessários para sua aprovação. E a iniciativa republicana de autorizar gastos por seis meses e elevar o teto da dívida até o fim de janeiro não teve apoio suficiente nem para chegar ao plenário.

A insatisfação da opinião pública em relação ao impasse pode forçar os partidos a buscarem uma solução. Pesquisas mostram que a aprovação do Congresso está no mais baixo patamar da história, em 10%.

Mas os números mostram que a oposição vai pagar o maior preço pela crise. Levantamento do jornal 'Wall Street Journal' e a rede de TV NBC indicou que 53% dos entrevistados responsabilizam os republicanos pela paralisação do governo americano, 22 pontos porcentuais acima dos que colocam a culpa em Obama.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.