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Sem acordo sobre frete, caminhoneiros fecham estradas pelo País

Protestos dos motoristas, que querem uma tabela com preços mínimos para o frete, paralisaram estradas em ao menos 4 Estados

O Estado de S. Paulo

23 Abril 2015 | 10h45

Atualizado às 22h30

A falta de acordo com o governo federal em torno do valor do frete deu início a uma nova rodada de manifestações de caminhoneiros nas estradas brasileiras. Em Minas Gerais, desde 21h15 desta quinta-feira, manifestantes bloqueiam totalmente a BR 381, em direção a São Paulo, na altura do quilômetro 517, em Igarapé. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, caminhoneiros atearam fogo em pneus para fechar a rodovia.

No Ceará, há uma interdição total da BR 116, na altura do km 204, próximo ao município Tabuleiro do Norte. No Paraná, manifestantes estão no quilômetro 7 da BR 163, mas não há interdição da via. No Rio Grande do Sul, há bloqueio em Frederico Westphalen, no quilômetro 36 da BR 386, e em Santa Rosa, no quilômetro 155 da BR 472.

Até 21h desta quinta-feira, Mato Grosso, no entanto, ainda era o estado mais afetado, com 7 pontos de bloqueio. Na BR 163, os caminhoneiros estão nas cidades de Lucas Verde (quilômetro 688), Sorriso (748), Guarantã do Norte (1058) e Nova Mutum (598). Já na BR 364, os bloqueios são em Rondonópolis (quilômetros 200 e 206) e Diamantino (615).

No Rio Grande do Sul, os protestos começaram na noite desta quarta-feira, 22, quando foram registrados alguns incidentes. No quilômetro 243 da BR-386, em Soledade, no norte do Estado, pelo menos 20 veículos de carga que tentaram passar pelo trecho bloqueado foram apedrejados ao longo desta madrugada.

De acordo com o último boletim da Polícia Rodoviária Federal, havia o registro de 17 pontos de bloqueio nos Estados do Ceará, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.  

Durante o dia, uma rodovia federal em Minas Gerais foi bloqueada, mas foi rapidamente liberada. Os manifestantes interditaram uma faixa da BR-381, na altura do município de Igarapé, região metropolitana de Belo Horizonte, entre as 14h20 e 15 horas.

Por volta das 10h30, um caminhoneiro chegou a fechar o quilômetro 558 da rodovia BR-040, em Nova Lima, mas a corporação acabou com o ato. Logo em seguida, um aglomerado de 15 a 20 caminhoneiros se formou no posto Água Boa, no mesmo quilômetro, no sentido capital. A Polícia ficou no local para monitorar as decisões dos motoristas, que pela manhã ameaçaram fechar uma pista da rodovia. 

Líderes dos caminhoneiros se reúnem hoje em Brasília para discutir os rumos do movimento que está promovendo bloqueios em estradas do País. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) manifestou apoio aos bloqueios de rodovias e afirmou que a expectativa da categoria foi frustrada pelo governo.

Segundo a CNTA, a intenção das lideranças é promover manifestações nas estradas até que o governo retome as negociações sobre a adoção de uma tabela obrigatória mínima para o frete. Desde fevereiro, quando motoristas fecharam estradas em todo o País, governo e representantes dos motoristas negociam as reivindicações da categoria.

Safra. Quanto ao escoamento da safra agrícola na região do Mato Grosso, o presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde, Carlos Simon, disse que os bloqueios devem atrapalhar o envio dos grãos aos portos, mas ponderou que, com a colheita da soja encerrada no Estado, as manifestações tendem a ter impacto menor nos trabalhos do campo. "Na primeira paralisação estávamos em plena colheita e os bloqueios atrapalhavam a chegada de óleo diesel para as máquinas, por exemplo", explicou Simon. Segundo ele, se os bloqueios continuarem, entretanto, podem começar a afetar a colheita de milho safrinha, que se inicia em maio. O sindicato diz apoiar a categoria "na questão da pesagem de caminhões, do pedido de redução do preço de óleo diesel e de refinanciamento". Não se posicionou, no entanto, sobre o tabelamento do preço mínimo de fretes.

Já a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) disse em comunicado que o impacto de paralisações nas estradas organizadas por movimentos de caminhoneiros no curto prazo será "prejuízo na comercialização da soja". "Este é o momento de pico de comercialização e precisa haver fluxo. As compradoras também precisam saber o valor do frete para compor os preços", disse o presidente da Aprosoja-MT, Ricardo Tomczyk. "No médio prazo, podem existir problemas de armazenagem, pois a soja precisa ser escoada para dar espaço ao milho que será colhido."

SP. O tráfego de veículos nas principais rodovias paulistas é normal, segundo as concessionárias que administram as estradas e o Departamento de Estradas e Rodagem do Estado (DER-SP). Não há registro de paralisações de caminhoneiros nas vias de ligação entre o capital e o interior paulista e entre a região e outros estados. / GUSTAVO PORTO, MÁRIO BRAGA, GABRIELA LARA, JOSÉ MARIA TOMAZELA, RAQUEL BRANDÃO, DANIELA FRABASILE, LETÍCIA PAKULSKI, SUZANA INHESTA, MARIA EDUARDA CHAGAS

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