John Thys/AFP
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Brasil propõe que troca de ofertas para acordo UE-Mercosul aconteça até julho

Presidente Dilma Rousseff se reúne com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e com o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras em Bruxelas; resposta é esperada em 'dias ou meses'

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2015 | 07h33

(Atualização às 15h38)

PARIS - A presidente Dilma Rousseff confirmou nesta quarta-feira, 10, em Bruxelas, na Bélgica, que os países do Mercosul entregarão uma oferta para um acordo de livre comércio com a União Europeia e que esperam uma resposta dos europeus "em dias ou meses". O pedido foi feito durante reunião bilateral com o primeiro-ministro da Bélgica, Charles Michel, anfitrião da reunião de cúpula entre UE e Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que começa em Bruxelas, na Bélgica. A expectativa da presidente é de que a resposta europeia seja dada até julho. 

O encontro aconteceu no final da manhã desta quarta-feira, 10, na residência oficial do premiê belga. Na saída, os dois líderes fizeram um pronunciamento oficial, no qual a presidente confirmou a entrega de ofertas do Brasil e do Mercosul. "Eu disse ao primeiro-ministro que o Brasil, o Mercosul estão em condições de apresentar suas ofertas comerciais para a União Europeia", afirmou Dilma. "Acredito que isso possa ocorrer nos próximos dias ou meses. Esperamos que, da mesma forma, essa questão evolua de forma satisfatória do ponto de vista da União Europeia."

A presidente Dilma Rousseff também encontrou-se hoje com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, às margens da reunião de cúpula. No encontro cada um dos líderes gravou para as emissoras de TV uma declaração na qual abordou os assuntos bilaterais. Dilma desejou o reforço dos vínculos bilaterais e defendendo um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.

Em sua intervenção, de cerca de um minuto, David Cameron se disse muito satisfeito de trabalhar com o governo brasileiro, ressaltou as relações econômicas e reforçou o apoio britânico às negociações por um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. 

A revelação sobre a proposta de troca de ofertas foi feita horas antes pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, na chegada da delegação brasileira à capital belga. Dilma vai discursar hoje na Comissão Europeia, na primeira sessão de trabalho da cúpula, que reunirá representantes de 61 países. 

Nessa oportunidade, segundo Kátia Abreu, a presidente vai pedir que a troca de ofertas aconteça até o final de 2015. Mas, nas reuniões bilaterais que Dilma realizará ao longo do dia em Bruxelas, ela solicitará empenho da União Europeia para que a troca aconteça até julho, acelerando as negociações. "No discurso ela vai pedir para este ano", explicou Kátia Abreu. "Ela quer fazer a troca de ofertas. Nas bilaterais ela vai pedir a troca de ofertas. Nós vamos estar prontos."

Questionada sobre a posição da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, até aqui reticente sobre avançar no acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, Kátia Abreu ressaltou que o governo brasileiro está disposto a avançar mesmo sem a cooperação dos vizinhos. "Se eles quiserem ficar para trás, nós estamos prontos", disse a ministra. "Não tem jeito. Politicamente para ela (Cristina) ficar para trás hoje é muito ruim. Seria o ideal aceitar, mas se não quiser aceitar, ou vem ou vai ficar."

Em entrevista publicada na terça-feira pelo jornal belga Le Soir, Dilma exortou a União Europeia a agir para acelerar as negociações entre os dois blocos econômicos. "Nossas relações comerciais podem dar um salto graças à proposta comercial que o Mercosul fez à União Europeia para chegar a um acordo e livre comércio nos próximos meses", argumentou. "Completar essa relação é nossa prioridade em 2015. Isso não depende de nós, mas da vontade da União Europeia."

Nesta quarta-feira, Dilma terá encontros bilaterais com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, com os primeiros-ministros da Bélgica, Charles Michel, da Grécia, Alexis Tsipras, e da Bulgária, Rosen Plevneliev, e com o presidente do Conselho da União Europeia, Donald Tusk. É nessas reuniões que a presidente enfatizará a necessidade de acelerar as negociações e trocar as ofertas até julho.

A postura enfática do governo brasileiro contrasta com o estado de ânimo de negociadores e empresários europeus, que demonstram menos confiança na assinatura de um acordo entre UE e Mercosul. Em Bruxelas, eles têm enfatizado a necessidade de aumentar o comércio entre a Europa e o Brasil, mesmo sem a formalização da área de livre comércio. 

Na terça-feira, 9, o diretor da Unidade de América Latina da Direção-geral de Comércio da Comissão Europeia, Matthias Jorgensen, e também representantes patronais lamentaram a lentidão das negociações. "Nós vemos uma série de políticas bem-intencionadas da parte do Brasil. Não duvidamos disso", ponderou Jorgensen, sem no entanto esconder o pessimismo. "Mas como alguns de vocês notaram, essas negociações estão em curso há 16 anos. Nós queremos que avancem, mas a questão é: os recursos hoje em dia são limitados. Precisamos ter a certeza de que, se colocarmos recursos, vamos chegar a resultados práticos."

Ao Estado, um alto negociador europeu afirmou na terça-feira que essa hipótese não está na mesa, e que fixar uma data para o final das negociações é uma iniciativa que perdeu credibilidade. "Nós já fixamos uma data em 2013 e não funcionou", afirmou o negociador. Questionado sobre se o Mercosul e o Brasil estão perdendo espaço na agenda da União Europeia, que negocia também com os Estados Unidos e o Japão, o executivo afirmou: "Estamos tentando não criar uma escala de prioridades, porque acreditamos que essas negociações podem acontecer em paralelo. Mas quanto mais uma negociação demora…"

Guerra Fria. Para a presidente Dilma Rousseff, a nova fase das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba significa o fim da Guerra Fria. O tema foi evocado em reunião com o primeiro-ministro da Grécia, Charles Michel. "Eu me congratulei pela abertura das relações entre Estados Unidos e Cuba, que encerra a Guerra Fria na América Latina e no Caribe", afirmou.

No encontro a presidente tratou ainda de relações econômicas, convidando empresas da Bélgica, em especial da área de portos e infraestrutura, a investirem no recém anunciado plano de concessão e investimentos em logística. 

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