André Dusek/Estadão
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Sem ajuste, Brasil está próximo de perder o grau de investimento, afirma Joaquim Levy

Em audiência na Câmara dos Deputados, ministro da Fazenda ponderou que risco do País perder grau de investimento é menor hoje, mas reforçou necessidade de aprovação do ajuste fiscal

Lorenna Rodrigues e Anne Warth, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2015 | 12h51


O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reforçou sua defesa ao ajuste fiscal nesta quarta-feira, 29, junto a deputados. "O Brasil está mais próximo do grau especulativo do que do grau de investimento. O risco de perder o investment grade hoje é muito menor do que quando cheguei a Brasília, mas, se não fizer o ajuste, volta o risco", declarou Levy.

O ministro da Fazenda participa de audiência nas Comissões de Finanças e Tributação, de Desenvolvimento Econômico e de Trabalho da Câmara dos Deputados.

Levy disse que o cumprimento da meta de superávit primário de 1,2% do PIB será um esforço grande, mas será alcançado. O superávit primário é a economia que o governo faz para que sobre recursos para pagar os juros da dívida pública. "Precisamos que as medidas de ajuste sejam aprovadas para cumprir a meta", afirmou o ministro.

O ministro disse ainda que o esforço fiscal do País é importante, mas não é coisa "desmesurada". Para ele, é preciso disciplinar os gastos da União e também de Estados e municípios, além de estabilizar e reduzir a dívida pública.

Segundo Levy, a maior parte das medidas adotadas até agora não foi feita com objetivo apenas arrecadatório, mas para melhorar a economia e o ambiente de negócios. "Quando vencermos a primeira etapa do ajuste, temos que melhorar o PIS/Cofins e diminuir o resíduo tributário", completou.


Levy disse só mudanças como as restrições na concessão de seguro-desemprego e abono salarial não serão suficientes para garantir arrecadação maior. "Temos que fazer reequilíbrios em vários setores. O governo está cortando na carne e reduzindo despesas", afirmou o ministro.

Na avaliação do ministro, as mudanças feitas pelo governo foram onde havia excessos, sem tirar direitos do trabalhador.

Crescimento do País. Levy reiterou que as políticas adotadas pelo governo neste ano têm o objetivo de recuperar a confiança dos investidores. "Enquanto o governo não deu essa linha, no fim do ano passado, vimos as receitas caindo, o PIB caindo, por isso ainda estamos nos ressentindo disso", afirmou. "O PIB não vai cair por causa do ajuste fiscal. Temos que fazê-lo e concluí-lo rapidamente para o PIB poder voltar a crescer."

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