Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Sem alta no preço do feijão e da energia, junho teria IPC negativo

Encarecimento dos itens fez com que o Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fipe, subisse 0,05% em junho

Maria Regina Silva, Broadcast

04 Julho 2017 | 14h40

SÃO PAULO - O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) de junho ficaria mais uma vez no campo negativo, não fosse o encarecimento de feijão e energia elétrica, avalia Moacir Mokem Yabiku, gerente técnico de pesquisa do IPC-Fipe. No sexto mês do ano, o IPC subiu 0,05%, depois de cair 0,05% em maio. No dado de junho, ele diz que somente as altas de 22,79% do feijão e de 6,82% em energia elevaram o IPC em 0,33 ponto porcentual. "Ou seja, o IPC reforça que o quadro de desinflação prossegue", explica.

Esse cenário desinflacionário é constatado no indicador de difusão, que mede o quanto a alta está espalhada. O índice de difusão no IPC de junho atingiu 48,81%, sendo o mais baixo desde outubro de 2009, quando chegou a 48,39%, conforme a Fipe. "A maioria dos itens está com tendência de queda, tanto que o núcleo ficou acima do IPC", diz.

O IPC-Ex, que exclui do cálculo geral os preços de alimentos com comportamentos mais voláteis e combustíveis, subiu 0,17%, na comparação com 0,20% em maio. Já a taxa da média aparada desacelerou para 0,11%, depois de 0,13%. "O centro do IPC mostra que os preços estão caindo. Ou seja, não está concentrado somente num ou noutro item", afirma.

Diante do quadro de alívio inflacionário, Yabiku alterou a projeção para o IPC fechado deste ano de uma alta de 3,77% para 2,96%. "No ano, o IPC acumula apenas 0,99%. Foi um primeiro semestre bem baixo, por causa da recessão, que provocou demanda fraca, alívio em preços de alimentos e em preços administrados", explica.

Para julho, a Fipe estima taxa positiva de 0,03%. A expectativa é que o grupo Habitação saia de alta de 0,88% para recuo de 0,16%, influenciado pela bandeira tarifária verde nas contas de luz. A bandeira passou a vigorar em junho, mas como o IPC só capta o efeito quando o consumidor recebe a fatura, o impacto será percebido na leitura deste mês. "Já o impacto da bandeira amarela, deve ser de alta de 0,20 ponto porcentual no IPC de agosto", adianta.

De acordo com Yabiku, o grupo Alimentação deve ajudar menos o IPC de julho. A previsão é que este conjunto de preços, que caiu 0,83% em junho, tenha alta de 0,05%. Já a classe de despesa de Transportes deve diminuir o ritmo de queda para 0,17%, na comparação com declínio de 0,33% no quinto mês do ano. "Energia elétrica, gasolina e estimativa de estabilização em Alimentação devem ser os principais a definir o IPC", explica. 

++ Conta de luz vai ficar mais cara em julho

Serviços. A inflação de serviços acelerou para 0,68% em junho, na comparação com 0,03% em maio. A principal pressão adveio do grupo Habitação, que atingiu 1,18% no sexto mês, depois da queda de 0,54%. 

Segundo Yabiku, o motivo foi a bandeira vermelha adotada em maio, que elevou o custo nas contas de luz percebido no índice de junho. Embora alguns indicadores de inflação tenham captado esse impacto em maio, no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe e no IGS o efeito só apareceu no mês passado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.