Gabriela Biló/ESTADÃO
Ao ser confrontado pelos jornalistas sobre a origem do número, Bolsonaro disse que ele foi repassado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes Gabriela Biló/ESTADÃO

Sem apresentar dados oficiais, Bolsonaro fala em 10 milhões de desempregados como efeito da crise

Uma demissão de 10 milhões, como citou o presidente, mostraria que a pandemia foi capaz de, sozinha, dizimar praticamente um terço do mercado de trabalho formal no Brasil

Mateus Vargas e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 18h31

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse hoje que o Brasil "se aproxima de 10 milhões de pessoas que perderam emprego de carteira assinada", mas não apresentou os levantamentos estatísticos que comprovam o encolhimento no mercado de trabalho formal no País nessa magnitude.

"Se aproxima 10 milhões de pessoas que perderam emprego de carteira assinada", disse o presidente ao chegar ao Palácio da Alvorada no início da noite. Segundo ele, dos 38 milhões de autônomos, 80% pedeream poder aquisitivo.

Uma demissão de 10 milhões, como citou o presidente, mostraria que a pandemia do novo coronavírus foi capaz de, sozinha, dizimar praticamente um terço do mercado de trabalho formal no Brasil. O País tem hoje cerca de 33 milhões de trabalhadores com carteira assinada.

Ao ser confrontado pelos jornalistas sobre a origem do número, Bolsonaro disse que ele foi repassado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e que ele mesmo, o presidente, tinha se surpreendido. Mas afirmou que tem visto que num pequeno comércio de cinco empregados, a prática mostra que três têm sido demitidos. Sobre o dado dos autônomos, Bolsonaro afirmou que era da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sem entrar em detalhes. 

Questionado sobre a origem do dado e sobre como a equipe econômica avalia tamanho impacto no mercado de trabalho apesar das medidas adotadas, com recursos públicos, para manter os empregos, o Ministério da Economia informou que "não irá se manifestar".

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que reúne essas informações e é mantido pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, está com a divulgação suspensa porque as empresas estão com dificuldades para enviar os dados em meio à pandemia e uma mudança nos sistemas da pasta. O último número, divulgado em janeiro, foi referente ao fechamento do ano de 2019.

O termômetro mais próximo seria o número de pedidos de seguro-desemprego, que somaram 804.538 entre o começo de março e a primeira quinzena de abril de 2020. Outros 200 mil pedidos devem estar represados devido ao fechamento de agências do Sine, segundo os próprios técnicos da área econômica anunciaram na semana passada. Ou seja, pelas números oficiais do Ministério da Economia, o desemprego como consequência da pandemia teria atingido 1 milhão de pessoas, aumento de 150 mil em relação ao mesmo período do ano passado. 

Já a Pnad Contínua, pesquisa sobre o mercado de trabalho do IBGE, mostra uma melhora no mercado de trabalho formal no primeiro trimestre deste ano ante igual período de 2019 - o dado mais recente divulgado pelo órgão. O número de trabalhadores do setor privado com carteira aumentou em 178 mil nessa comparação. Na comparação com o último trimestre de 2019, houve demissão líquida de 572 mil, um movimento sazonal típico de início de ano após o término das contratações temporárias feitas no período das festas de fim de ano.

O discurso da equipe econômica tem ido na direção contrária. Hoje mesmo, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, divulgou vídeo nas redes sociais comemorando a manutenção de 6 milhões de empregos formais a partir das negociações para reduzir jornada e salário ou suspender contratos.

O governo prevê gastar R$ 51,2 bilhões para pagar benefícios aos trabalhadores, numa compensação pela perda temporária no salário. Com isso, espera que a crise resulte num número bem menor de demissões, por volta de 3,2 milhões.

A declaração do presidente foi dada no mesmo dia em que Bolsonaro foi pressionado por setores da indústria a adotar medidas de retomada da atividade econômica. Ele recebeu os empresários acompanhado do ministro da Economia, Paulo Guedes. O grupo seguiu depois a pé para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde se reuniu com o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli.

O presidente assinou e publicou hoje um decreto que inclui o setor de construção civil e as atividades industriais no rol de atividades essenciais, que podem funcionar durante a pandemia da covid-19, desde que "obedecidas as determinações do Ministério da Saúde". A norma vem num momento em que um número cada vez maior de municípios tem adotado ou falado em adotar medidas de "lockdown" (confinamento obrigatório) na tentativa de conter o avanço da doença.

"Vamos colocar novas categorias com responsabilidade e observando as normas do Ministério da Saúde. Porque senão, depois da UTI, é o cemitério, e não queremos isso para o Brasil", disse hoje o presidente Bolsonaro ao falar do decreto.

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Bolsonaro diz que Guedes é dono de 99% da pauta econômica do governo

Presidente novamente deixou claro que seus ministros possuem liberdade, mas que é dele a palavra final sobre questões do governo e nomeações

Julia Lindner e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 19h41

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira, 7, que o ministro da Economia, Paulo Guedes, detém 99% do poder de decisão sobre a pauta econômica do governo. Aquele 1% restante, no entanto, fica a cargo de Bolsonaro.

"Quase 10 milhões de brasileiros perderam carteira assinada. Os informais já perderam 80% do poder aquisitivo. Estão sobrevivendo com parcela R$ 600, que depois de dois meses acaba. E não tem essa de fabricar dinheiro, isso não existe, é inflação, caos e miséria", disse Bolsonaro na entrada do Palácio da Alvorada.

Em seguida, um apoiador que acompanhava a fala disse que "o Paulo Guedes está de olho". "O Paulo Guedes é dono de 99% da pauta. Diria até para a imprensa ouvir ali", reagiu Bolsonaro.

Na última quarta, 6, o Congresso atropelou medida desenhada por Guedes, de congelamento de salários dos servidores públicos, e reduziu em quase R$ 90 bilhões a economia nos gastos do governo federal, Estados e municípios com a folha de pagamento de pessoal até 2021. A decisão teve aval de Bolsonaro, segundo relatou o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL).

Hoje, o presidente disse que vai vetar o trecho do projeto de ajuda aos Estados que abre possibilidade de reajuste salarial para categorias de servidores públicos, mesmo em meio à pandemia de coronavírus. "Eu sigo a cartilha de Paulo Guedes na economia. Se ele acha que deve vetar, assim será feito", disse o presidente.

Aquele 1%...

Bolsonaro costuma deixar claro que dá liberdade para os ministros, mas que é ele quem dá a palavra final sobre as questões do governo e até nomeações. A postura foi evidenciada com a saída do ex-ministro Sergio Moro do governo, que afirmou ter sofrido pressão para trocar o comando da Polícia Federal.

No último sábado, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou, no depoimento que prestou à Polícia Federal, que Bolsonaro disse em fevereiro, por mensagem de celular, que queria indicar um novo superintendente para a Polícia Federal no Rio de Janeiro, Estado no qual o presidente construiu a carreira política.

Segundo Moro, a mensagem tinha mais ou menos o seguinte teor: 'Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro'".

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Após dar aval, Bolsonaro afirma agora que vai vetar possibilidade de reajuste a servidores

"Eu sigo a cartilha de Paulo Guedes na economia. Se ele acha que deve vetar, assim será feito", disse o presidente

Emilly Behnke e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 12h50

BRASÍLIA - Após estimular a "blindagem" de diversas categorias de servidores públicos, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 7, que vai vetar o trecho do projeto de ajuda aos Estados que abre possibilidade de reajuste salarial para as carreiras do funcionalismo, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus.

"Eu sigo a cartilha de Paulo Guedes na economia. Se ele acha que deve vetar, assim será feito", disse o presidente. Ontem, porém, o líder do governo na Câmara,  Major Vitor Hugo (PSL-GO), que capitaneou o movimento para beneficiar as categorias entre os deputados, revelou que a articulação teve o respaldo de Bolsonaro, com quem conversou duas vezes durante a votação. "Sou líder do governo e não líder de qualquer ministério", disse o deputado.

Guedes, que reclamou a interlocutores de uma "bola nas costas", defendeu o veto ao trecho do projeto como contrapartida de governadores e prefeitos à ajuda de R$ 125 bilhões da União. "Nós vamos pedir que vete o aumento de salários até dezembro do ano que vem", afirmou Guedes, em reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, da qual fez parte Bolsonaro, ministros e empresários.

A equipe econômica calcula que o congelamento garantiria uma economia de R$ 130 blhões para União, Estados e municípios. As mudanças feitas no Congresso, porém, derrubaram o alívio para R$ 43 bilhões.

"Agora, há sempre manobras, empurra para cá, empurra para lá, manobra normal da democracia. Não estou reclamando em nada do processo democrático. Eu apenas pedi ao presidente que resolva com as ferramentas que ele tem, de vetar esse aumento, caso ele venha", continuou o ministro.

No texto aprovado pelo Congresso, foram poupados do congelamento servidores da área de saúde (como médicos e enfermeiros), policiais militares, bombeiros, guardas municipais, policiais federais, policiais rodoviários federais, trabalhadores de limpeza urbana, de assistência social, agentes socioeducativos, técnicos e peritos criminais, professores da rede pública federal, estadual e municipal, além de integrantes das Forças Armadas.

As diversas categorias de servidores mostraram força de mobilização e pressão no Congresso, mesmo com as críticas de diversos setores da sociedade civil, afetados pela crise com demissões e corte de salários, que cobraram medidas semelhantes dos servidores.

De acordo com dados oficiais, hoje já são mais de 5,5 milhões de trabalhadores que tiveram o salário reduzido ou o contrato suspenso por causa da crise provocada pela pandemia. A expectativa é que 73% dos empregados formais sejam atingidos com uma das duas modalidades. Outros 50 milhões de pessoas já receberam o auxílio emergencial de R$ 600 pago pelo governo a desempregados e informais. 

 

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Em vez de cabo e soldado, Bolsonaro leva empresários para constranger STF

Bolsonaro estava ao lado do seu ministro da Economia, Paulo Guedes, e empresários para reforçar o discurso de reabertura da economia

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 15h19

Em vez de cabo e soldado, o presidente Jair Bolsonaro levou empresários da indústria para constranger o Supremo Tribunal Federal (STF). Quem não se lembra do polêmico vídeo postado nas redes sociais pelo deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, no qual ele fala que bastam um soldado e um cabo para fechar o Supremo?

"Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo”, disse Eduardo no vídeo de 2018. 

Quase dois anos depois, num gesto repleto de simbolismo, o presidente surpreendeu nesta quinta-feira, 7, ao deixar o Palácio do Planalto e caminhar, a pé, em direção ao Supremo para pedir publicamente que as medidas restritivas de isolamento social sejam amenizadas. Tudo com transmissão ao vivo pela TV.

Bolsonaro estava ao lado do seu ministro da Economia, Paulo Guedes, e empresários para reforçar o discurso de reabertura da economia. Entre os empresários, representantes do Instituto Aço Brasil,  Anfavea (automóveis),  Abiquim (química), Interfarma (farmacêutica),  Abit (têxtil e confecções), Cbic (construção), Abiplast (plástico),  Abrinq (brinquedos)  e outros setores. 

Com a cena desta quinta,  não tem como não lembrar  o movimento “Não Vamos Pagar o Pato” organizado pela Federação da Indústria de São Paulo (Fiesp), que apoiou o processo do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.         

Agora, o que muitos se perguntam é se não parece muito um apelo, às avessas, para não ter impeachment de Bolsonaro, depois das acusações do ex-ministro Sergio Moro. 

O presidente e o ministro tinham mesmo é que liderar e propor as saídas para a crise e não levar os problemas e preocupações do empresariado para o Judiciário. Não faz muito sentido, a não ser que ele esteja mesmo pressionando o STF.

De imediato, Guedes conseguiu o apoio público do presidente ao veto de parte do projeto de auxílio emergencial aos Estados e municípios que excluiu várias categorias do congelamento de salários por 18 meses

“Eu sigo a cartilha de Paulo Guedes. Se ele acha que deve vetar, assim será feito", disse o presidente.  Foi o presidente quem deu aval para a abrir a porteira que deixou de fora do aperto fiscal as categorias que lhe dão apoio, principalmente as Forças Armadas e de segurança, contrariando a orientação da sua equipe econômica. Pagando para ver se ele vai cumprir o que prometeu a Guedes.

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Bolsonaro vai ao STF com ministros e empresários e faz pressão contra medidas restritivas

Ida do presidente ao tribunal não estava prevista na agenda. Em reunião com Toffoli, Bolsonaro disse que vai assinar decreto para ampliar serviços considerados essenciais.

Emilly Behnke, Julia Lindner, Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 12h13

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro atravessou a Praça dos Três Poderes em Brasília a pé nesta quinta-feira, 7, para se dirigir ao Supremo Tribunal Federal (STF). Acompanhado de ministros e empresários, Bolsonaro se reuniu com o presidente do tribunal, Dias Toffoli, e fez pressão para que as medidas restritivas nos Estados sejam amenizadas. Ele disse que assinará um decreto para ampliar a quantidade de atividades essenciais em meio à pandemia do novo coronavírus.

A ida do presidente ao STF não estava prevista na agenda oficial, divulgada pela Secretaria de Comunicação Social. Procurada, a assessoria do STF informou que o encontro com Toffoli foi marcado de última hora e também não estava previsto na agenda do ministro. Ao ser questionado se a visita tinha o objetivo de “pressionar” o STF, Bolsonaro pediu ao repórter que parasse de “falar besteira”. 

 Bolsonaro estava acompanhado de empresários e ministros, entre os quais Walter Souza Braga Netto, da Casa Civil, Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, e Paulo Guedes, da Economia. Segundo Guedes, foi uma "visita de cortesia". Parlamentares também acompanharam Bolsonaro, entre os quais o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente da República, e o deputado Hélio Lopes (PSL-RJ).

O presidente ainda levou ao encontro empresários dos setores têxtil, farmacêutico, de produção de cimento, automóveis, energia, cimento, máquinas e calçados, entre outros. 

Durante o encontro com Toffoli, Bolsonaro realizou uma transmissão ao vivo em uma rede social. Em um breve discurso de abertura da reunião, o presidente disse que a crise provocada pelo coronavírus levou "aflições" a empresários em razão do desemprego e da economia "não mais funcionar". 

O presidente disse, ainda, que teme que a economia brasileira fique como a da Venezuela. "Quando Guedes fala da Venezuela, é em referência à economia venezuelana, porque chega um ponto que fica muito difícil recuperar", disse o presidente.

Bolsonaro também voltou a criticar as ações de governadores, que em grande parte defendem e mantém o isolamento social como medida de combate da covid-19, ao dizer que foram "um pouco longe demais nas medidas restritivas". "Alguns Estados foram um pouco longe nas medidas restritivas e as consequências estão batendo na porta de todos."

Medidas de isolamento social são recomendadas por autoridades sanitárias, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), como a melhor forma de evitar a propagação rápida da covid-19 e o colapso do sistema hospitalar. 

Dados do Ministério da Saúde divulgados ontem mostram que o Brasil bateu um novo recorde de mortes por coronavírus registradas em um dia, com 615 novos óbitos, e se tornou o sexto país com mais óbitos no mundo, segundo a Universidade Johns Hopkins (EUA), que monitora dados da pandemia. Com um total de 8.536 mortes por coronavírus, o Brasil ultrapassou a Bélgica, que tem 8.339 óbitos. Os cinco primeiros países com mais óbitos são EUA (72.617), Reino Unido (30.150), Itália (29.684), Espanha (25.613) e França (25.538).

Também houve 10.503 novos casos confirmados no Brasil —o total é de 125.218. Nesse quesito, o país fica em 9º no ranking mundial.

 

 

Ainda no discurso, Bolsonaro disse que o efeito colateral do combate ao coronavírus "não pode ser mais danoso que a própria doença". "O objetivo da nossa vinda aqui, nós sabemos do problema do vírus, que devemos ter todo cuidado possível, preservar vidas, em especial daqueles mais em risco, mas temos um problema que vem cada vez mais nos preocupando: os empresários trouxeram essas aflições, a questão do desemprego, a questão da economia não mais funcionar. O efeito colateral do combate ao vírus não pode ser mais danoso que a própria doença", declarou.

Segundo o presidente, os empresários querem que o STF ouça deles o que está acontecendo. "Chegou a um ponto que a economia fica muito difícil de recuperar. Nós, chefe de Poderes, temos que decidir. O Toffoli sabe que, ao tomar decisão, de um lado ou de outro, vai sofrer critica", disse Bolsonaro.

Ainda no encontro, Toffoli afirmou que governo e empresários levaram ao STF necessidade de planejamento para retomada da atividade econômica. O ministro também disse que é preciso coordenação nesta tarefa por meio do governo federal, em diálogo com poderes, Estados e municípios.

Toffoli declarou que as pessoas demonstram desejo de sair de casa, porém "tem que ter essa saída de uma forma coordenada". Ele repetiu a necessidade de conversa com da União com Estados e municípios.

"É fundamental isso. Talvez num comitê de crise, envolvendo a federação, os poderes, para exatamente junto com o empresariado, com os trabalhadores, pensar nessa necessidade que temos de traduzir na realidade esse anseio, de trabalhar, produzir, manter empregos", disse Toffoli.

"Apesar daquilo que aparece na imprensa, uma coisa aqui e ali, a verdade é que as instituições funcionaram. Os ministérios funcionaram, o SUS (Sistema Único de Saúde) funcionou, as medidas que o governo adotou e o Congresso Nacional aprovou, adequou, melhorou ou de alguma forma também sancionou, foram medidas extremamente importantes para que o País não entrasse em situação de calamidade pública", disse o presidente do STF. 

Apesar da declaração de Toffoli, diversas cidades brasileiras decretaram estado de calamidade pública durante a pandemia da covid-19. Além disso, Estados como Amazonas já enfrentam o colapso do sistema de saúde. Esta semana, o Ministério da Saúde reconheceu que o pico do novo coronavírus deve ocorrer entre maio e julho.

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