Sem aumento da gasolina, lucro da Petrobras cai 28%

O congelamento dos preços dos combustíveis teve impacto negativo nos resultados da Petrobras este ano. A empresa divulgou na noite desta quarta-feira que teve um lucro de R$ 3,972 bilhões no primeiro trimestre de 2004, uma queda de 28% em relação aos R$ 5,545 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. A área de abastecimento, responsável pela venda de combustíveis, teve uma queda de 29% no lucro no trimestre, chegando a R$ 3,61 bilhões.Segundo comunicado enviado pela estatal à Bolsa de Valores de São Paulo, a redução no lucro foi provocada, principalmente, pela redução do preço dos derivados em abril de 2002. Esse ajuste provocou uma queda de 5 pontos porcentuais na margem bruta da companhia, que atingiu 44% nos primeiros três meses do ano. No primeiro trimestre de 2004, logo após os reajustes feitos em dezembro de 2002 nos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha, a empresa obteve uma margem de 49%. Na época o barril de petróleo fechou, em média, a US$ 31,51 em Londres. Agora, nos primeiros três meses de 2004, este valor foi ligeiramente maior (US$ 31,95), sem que os preços internos dos combustíveis acompanhassem o movimento.A empresa informou, na nota, que aumentou os estoques no início deste ano para enfrentar a possibilidade de alta no mercado internacional ? que levou o petróleo, esta semana, a bater a casa dos US$ 40 por barril. Por isso, o volume refinado pela empresa chegou a uma média de 1,825 milhão de barris por dia, 7% a mais do que no primeiro trimestre de 2003. O mercado interno de derivados de petróleo, porém, ficou praticamente estagnado em 1,489 milhão de barris, um pequeno crescimento de apenas 1%. Com relação ao último trimestre de 2003, houve até uma queda, de 3%.A Petrobras registrou uma receita líquida de R$ 23,2 bilhões, o que representa uma queda de 5% com relação aos primeiros meses de 2003. A antecipação de R$ 3 bilhões em dividendos para os acionistas provocou um aumento de 9% no endividamento da empresa, que chegou a R$ 37,6 bilhões no trimestre. A empresa aumentou também o ritmo de importações de petróleo em 31%. Já as compras externas de derivados caíram 33%.

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