Renato Cerqueira/Futura Press
Renato Cerqueira/Futura Press

Sem Banco Central, dólar sobre 0,67% para R$ 4,3292; Ibovespa também sobe, puxada pelas commodities

Ações da Vale e de empresas correlatas se destacaram na B3; bancos, porém, limitaram a alta do principal índice da Bolsa

Altamiro Silva Junior e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2020 | 18h39

O dólar voltou a subir nesta segunda, 17, depois de duas sessões de queda, Com volume de negócios muito baixo, por causa do feriado nos Estados Unidos, o dólar à vista fechou em alta de 0,67%, a R$ 4,3292. O real foi novamente a divisa com pior desempenho em uma cesta de 34 moedas. 

O banco central da China voltou a injetar recursos no mercado nesta segunda e também reduziu os juros. A estratégia acabou contribuindo para a alta das bolsas europeias e asiáticas, mas não ajudou as moedas de emergentes. As preocupações sobre os efeitos da disseminação do coronavírus falaram mais alto e o tom de cautela predominou, ressaltam os estrategistas de câmbio do banco de investimento americano Brown Brothers Harriman (BBH). 

Para o economista-chefe da gestora paulista Panamby Capital, Eduardo Yuki, o crescimento da economia mundial tende a mostrar desaceleração este ano, influenciado pelo coronavírus. A tendência é que o crescimento da China recue para perto de 5%, o que afeta o desempenho de outras regiões, como a zona do euro e as exportações brasileiras, o que significa menos dólares entrando no País. "O câmbio tem uma tendência natural de desvalorização este ano", disse ele. Na máxima do dia, o dólar foi a R$ 4,3320. 

O economista da Panamby trabalha com a moeda americana em R$ 4,50 no final de 2020. "O dólar abaixo de R$ 4,00 não está incluso em nosso cenário. Muita coisa boa precisa acontecer para isso", disse ele. A gestora reduziu a previsão de crescimento da economia brasileira este ano, de 2,4% para 2,1%, e prevê maior déficit na conta de transações correntes, de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB). O rombo maior nesta conta deve pressionar ainda mais o câmbio ao longo do ano, ressalta.

O índice DXY, que mede o comportamento da divisa americana ante uma cesta de moedas fortes, chegou a bater em 99,208 pontos, renovando as máximas desde o começo do ano passado. Já o euro seguiu testando mínimas, no menor patamar desde abril de 2017.

No mercado local, o Banco Central fez apenas a rolagem de swaps de abril. Foi colocado o lote integral de 13 mil contratos, somando US$ 650 milhões. Na quinta e na sexta-feira, foi injetado, via swap, US$ 1 bilhão por dia, fazendo o dólar cair nas duas sessões.

Sem dinheiro novo do BC e com o feriado nos Estados Unidos, o volume de negócios caiu para menos da metade de um dia normal. O giro no mercado à vista somou apenas US$ 730 milhões. No mercado futuro, o contrato de dólar março movimentou US$ 7,6 bilhões na B3, ante média de US$ 18 bilhões. O dólar futuro para março fechou em alta de 0,69% a R$ 4,3300.

Bolsa

O Ibovespa encerrou a sessão aos 115.309,08, subindo 0,81% dos 114.381,36 pontos da abertura. Nesse contexto, as ações da Vale e de empresas correlatas se destacaram em sessão de exercício de opções que movimentou R$ 8,47 bilhões. O giro do dia alcançou R$ 26,4 bilhões. 

"Hoje vemos a Bolsa recuperando terreno, principalmente por causa de melhora do humor no exterior com a recuperação de commodities e, localmente, notícias corporativas", pontua Raphael Figueredo, da Eleven Financial Research. Nesse sentido também ajudam as perspectivas positivas para a boa perspectiva dos balanços de Petrobrás e Vale a serem divulgados na quarta e quinta-feira, respectivamente.

Com o maior peso na carteira teórica do Ibovespa, as ações preferenciais do Itaú, em queda, assim como seus pares Bradesco e as ordinárias do Banco do Brasil fizeram o contraponto e limitaram o ímpeto de alta do índice à vista.

Luiz Roberto Monteiro, operador sênior da mesa institucional da Renascença DTVM, lembra que a Bolsa também se beneficiou da expectativa positiva com o anúncio pelo governo chinês de redução de juros para crédito, uma nova ofensiva para tentar amenizar os efeitos negativos na economia daquele país por causa do coronavírus. Também, cita, há uma redução do ritmo do aparecimento de novos casos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.