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Sem Barbosa, Fazenda tem rearranjo de forças

Equipe econômica tem novo jogo de forças após a saída do secretário executivo do Ministério da Fazenda, que ainda não tem substituto definido

ADRIANA FERNANDES , JOÃO VILLAVERDE / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2013 | 02h06

A saída do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, deve promover um rearranjo de forças na equipe econômica do governo Dilma Rousseff. Um dos principais formuladores da política econômica, Barbosa deixa o espaço aberto para uma ascendência ainda mais forte do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Chamado internamente por seus auxiliares de "soldado" da presidente e do PT, Augustin tem um perfil de "entregar" o que lhe mandam. Modelo que se ajusta ao estilo da presidente Dilma Rousseff, com quem mantém relações próximas mesmo antes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Foi assim, no fim do ano passado, quando desenhou um engenhosa operação financeira de malabarismo contábil para garantir o cumprimento da meta fiscal.

Com o caixa do governo nas mãos e o poder de decidir a ajuda aos Estados e municípios, além de influenciar em decisões importantes como o programa de concessões e liberação de empréstimos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Augustin também deverá ter papel importante nas negociações políticas para reeleição de Dilma. Papel que, segundo fontes, já vem desempenhando.

Relação de confiança. Augustin não faz oposição nos bastidores ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, o que lhe garantiu uma relação de confiança com o ministro. Embora passe boa parte do tempo em reuniões no Palácio do Planalto, o secretário se reúne frequentemente com Mantega e não faz nada sem seu conhecimento. Foi esse estilo que lhe garantiu mais força na disputa com Barbosa, que deixou de participar das reuniões mais importantes com a presidente Dilma - motivo principal do seu pedido de demissão.

Mantega, por outro lado, consolida ainda mais seu papel na equipe econômica. Barbosa era conhecido por lhe fazer "oposição discreta" em algumas matérias, principalmente no campo fiscal. "O fogo amigo na equipe econômica deve diminuir", prevê um interlocutor.

Uma fonte qualificada do governo afirmou ao Estado que, nos últimos meses, a atitude de Barbosa variava de acordo com a presença de Mantega. "Quando os dois participavam da mesma reunião, o secretário se retraía, ficava quieto, quase irreconhecível. Já quando estava sozinho, era outra pessoa."

O secretário de Política Econômica, Márcio Holland, é um dos que mais ganham com a saída de Barbosa. Quando entrou no ministério, Holland encontrou a secretaria esvaziada por Barbosa, que levou os melhores técnicos para trabalhar com ele.

Holland e Barbosa dividiam decisões no campo das desonerações. Uma semana depois da saída de Barbosa, o secretário de Política Econômica já ampliou sua atuação em reuniões com economistas-chefes para avaliar a conjuntura econômica, prática semelhante à realizada pela diretoria do BC.

Ganhando tempo. É nesse jogo de forças que Mantega deve deixar o secretário executivo adjunto, Dyogo Oliveira, mais tempo na interinidade. Até lá, ganha tempo. Mas as apostas na permanência de Oliveira aumentaram. Ele já se reuniu com a equipe e teve sinais de prestígio ao ser convocado para anunciar sozinho o subsídio a produtores de cana do Nordeste. Porém, o secretário executivo do Ministério do Turismo, Valdir Simão, é cotado para a vaga. E tem apoio de setores importantes da Fazenda.

No Palácio do Planalto, a visão é de que Mantega precisa, rapidamente, demonstrar que a Fazenda está coesa politicamente. Segundo uma fonte qualificada do Planalto, a saída de Barbosa "não pode resultar na concentração de poder em Augustin ou em que quer que seja". A visão é que o Ministério da Fazenda precisa ser arejado.

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