Sem capitalização, grau de investimento corre perigo

O eventual adiamento do prazo de capitalização da Petrobrás, cogitado na semana passada pelo presidente José Sergio Gabrielli caso a situação da economia europeia se agrave, pode levar o endividamento líquido da companhia a estourar o nível de 35% no fim do terceiro trimestre.

André Magnabosco, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

O limite é exigido pelas agências de classificação de risco em companhias com grau de investimento. A projeção, de analistas que acompanham a petroleira, sinaliza que o atraso na capitalização deve ter impacto na estatal. À Petrobrás restaria a alternativa de reduzir o ritmo de investimentos ou correr o risco de perder o grau de investimento.

O sinal de alerta foi ligado na sexta-feira, quando Gabrielli afirmou à imprensa que a Petrobrás precisará "reconsiderar" a proposta de capitalização, caso a crise na Europa venha a se aprofundar e atinja outros mercados.

Sem a operação, o nível de endividamento líquido da Petrobrás, medido pela relação entre endividamento líquido e patrimônio líquido, em 32% ao fim do primeiro trimestre de 2010, tende a manter a alta. "Se a Petrobrás continuar investindo neste ritmo, e se não houver a capitalização até lá, o nível de endividamento alcançará os 35% ao fim do terceiro trimestre deste ano", destaca o analista da Planner Corretora, Victor de Figueiredo.

Projeção semelhante é feita pelo analista do Banco do Brasil Investimentos (BBI), Nelson Rodrigues de Matos. "Se a dívida líquida da Petrobrás tiver um adicional de R$ 12 bilhões, ou se a estatal "queimar" esse montante, o nível de 35% será superado."

Ao perder o grau de investimento, a Petrobrás também perderia condições mais atrativas de crédito externo, situação desfavorável a uma empresa que deve enfrentar um longo período de investimentos no pré-sal.

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