Sem comida, inflação fica em 3,03%, diz Mantega

Para ministro da Fazenda, alta de preços não deve superar os 6,5%

Adriana Chiarini, RIO, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2008 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, calcula que, sem a alta dos alimentos, a inflação anual brasileira estaria em 3,03%. Em palestra, ontem, no 20º Fórum Nacional, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ele classificou a alta da inflação como resultado do aumento das commodities agrícolas, metálicas e do petróleo no mercado internacional. "Estamos hoje diante de uma inflação internacional de commodities." Online: acompanhe a divulgação do IPCA-15 Veja os principais índices de inflação Especial explica a crise dos alimentos Porém, Mantega considera positiva a posição do Brasil em relação à maioria dos países emergentes e destacou que a taxa brasileira é a mais baixa entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). "Tirando alimentos, a inflação está em 3,03%. A inflação estrutural é essa. O resto é alimentos, inflação que vem de fora", declarou. "Tirando alguns elementos, temos uma inflação bem razoável." Mantega disse não ver risco de a inflação no Brasil fugir da margem de tolerância de 2 pontos acima do centro da meta, o ponto mais alto da banda (6,5%). "Em outros países, a inflação já fugiu (da banda), o que mostra a consistência de nossa política monetária." Declarando que a política monetária brasileira "é muito bem-sucedida", ele reafirmou que manter a inflação sob controle é prioridade do governo e ressaltou que já foram tomadas medidas para contê-la. Ele citou a desoneração da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e diesel e de outros impostos sobre trigo e derivados. "Estamos dando forte estímulo à produção agrícola", disse.Para ele, além da demanda forte por alimentos também há especulação no mercado de commodities, o que pode ser atestado pela escalada no preço do petróleo e das matérias-primas metálicas.O ministro afirmou também que os investimentos estão crescendo e considerou que o comportamento do empresário brasileiro mudou. Para ele, o empresariado está dando prioridade à conquista de mercado, em vez de aumento da margem de lucro. Citou como medidas de combate à inflação o controle dos gastos públicos; a alta dos juros; o IOF sobre crédito pessoal e o depósito compulsório sobre operações de leasing. FUNDO SOBERANOMantega disse que o Fundo Soberano deve ser criado em breve, com o uso de um "excedente (do superávit primário), como se fosse uma conta de poupança, que terá caráter anticíclico". Ele explicou que, no momento, os recursos do Fundo não estariam disponíveis para serem gastos e deixariam de entrar no orçamento. Segundo ele, essa poupança poderia ser usada em momentos em que a economia tivesse desempenho ruim. "Isso dá mais estabilidade à economia, diminui oscilações econômicas." O ministro considera que o uso de recursos acima do superávit primário para o Fundo Soberano "cumpre o papel que alguns estão pedindo de reduzir a demanda do Estado". Mantega afirmou também que os recursos do Fundo "podem ser usados para outro problema da economia, que é a valorização do real". Ele afirmou que a política de manutenção de reservas internacionais em nível alto continua, "com maior diversificação de aplicações".

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