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Sem conseguir competir, fábricas fecham as portas

Para empresários, abertura do mercado aos produtos importados e problemas cambiais desestabilizaram o setor

O Estado de S.Paulo

23 de março de 2014 | 02h09

Por quase 30 anos, o empresário Rubens da Silva trabalhou no setor têxtil. Em 2009, decidiu fechar a sua fábrica em Americana, no interior de São Paulo, porque não conseguiu sustentar o negócio. Desde então, mudou de ramo. Hoje, aos 67 anos, é dono de uma consultoria em loteamento e construção civil.

Rubens começou atuando como representante do setor têxtil, depois montou uma pequena tecelagem, que evoluiu para uma empresa de porte médio. Em 1996, modernizou a fábrica com um maquinário de última geração importado da Europa. "Montei um fábrica com tanta qualidade que escolas técnicas usavam o espaço como modelo para os alunos visitarem", lembra. No auge do negócio, chegou a empregar 200 funcionários.

No fim dos anos 90 começaram os problemas. A dívida feita em dólar aumentou de tamanho por causa da forte desvalorização do real em 1999, a importação chinesa começou a entrar com mais força no mercado brasileiro nos anos seguintes, e o principal cliente da época encerrou as atividades. "Foram três raios caindo no mesmo lugar", diz. "Foi uma luta de louco para tentar salvar o negócio, até que há cinco anos eu disse: 'Chega!'", lembra o empresário.

Concorrência externa. Na mesma época, em 2009, a empresária Marielza Milani, decidiu encerrar as atividades de sua fábrica na cidade de São Paulo. Segundo ela, o aumento da importação foi o principal responsável pelo fim do negócio. A fábrica de Marielza era especializada em tecidos para decoração, mas a entrada de produtos chineses mais baratos, apesar da menor qualidade, tornou o negócio insustentável. "O tecido importado não vinha com todos os detalhes, mas o preço era muito menor. Decidi fechar a fábrica para não ficar devendo para ninguém."

No melhor momento, a empresa chegou a ter 300 funcionários. A fábrica foi fundada em 1996. Marielza começou a trabalhar lá em 1986 como diretora. Comprou a empresa em 1992. "Eles queriam fechar já naquela época. Conversei com o antigo dono e comprei. Veja que deu para pagar a fábrica, mas depois ela começou a ir mal, e aí dívida ficaria um absurdo, então preferi fechar", afirma Marielza, hoje aposentada. / L.G.G.

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